ARQUEOLOGIA

Marcas em ossos de mamute indicam ação humana há até 27 mil anos na Alemanha

Esqueleto encontrado na Baviera reúne 72 elementos ósseos e uma presa, com sinais de corte em costelas

Por Sputnik Brasil Publicado em 11/06/2026 às 07:31
Ossos de mamute lanoso encontrados na Baviera indicam atividade humana antiga CC BY 2.0 / Tyler Ingram /

Arqueólogos do sudeste da Alemanha identificaram evidências de atividade humana em um esqueleto de mamute lanoso com idade estimada entre 27 mil e 25 mil anos, segundo a revista Archaeology News.

De acordo com a publicação, a descoberta oferece um raro registro da vida na Baviera nas fases finais da cultura gravetiana, pouco antes da grande parte da Europa Central, passar por um declínio expressivo na ocupação humana durante o último máximo glacial.

As escavações recuperaram pelo menos 72 elementos esquisitos e uma presa de mamute lanoso. Os pesquisadores apontaram que o animal era um espécime grande, mas ainda não totalmente maduro.

A datação por radiocarbono estimou a idade do mamute entre 26.900 e 25.300 anos calibrados antes do presente. Com isso, o exemplo é considerado um dos mamutes mais jovens conhecidos associados à atividade humana gravetiana tardia na Baviera, conforme detalhado a revista.

Inicialmente, o achado foi tratado como uma descoberta paleontológica, já que não havia ferramentas de pedra, fogueiras ou vestígios de assentamento no local. No entanto, uma análise mais detalhada revelou marcas de corte em várias costelas, compatíveis com abate por humanos.

As marcas foram observadas apenas nas áreas planas das costelas, o que fornece evidências diretas de processamento da carcaça. Ainda assim, não foi possível determinar se o animal foi abatido por humanos ou desossado após a morte.

Escavações posteriores na área, com uso de peneiramento úmido, resgataram apenas material do Holoceno. Desta forma, os ossos modificados do mamute permanecem como a única evidência de atividade humana no local.

Apesar disso, o valor destruído do achado é considerado elevado, devido à escassez de vestígios humanos naquele período frio.

Na época, as condições mais rigorosas e o avanço das geleiras reduziram a produtividade ambiental. Segundo a reportagem, o território dos caçadores-coletores gravetianos encolheu de cerca de 240 mil para 120 mil quilômetros quadrados, enquanto a população estimou de aproximadamente 2.800 para 1.000 indivíduos, com a Baviera especificamente afetada.

A descoberta do mamute representa a evidência mais recente conhecida de presença gravetiana tardia com laços culturais orientais na região, antes de um grande hiato de assentamento. O achado também oferece um raro vislumbre da atividade humana durante uma das fases mais severas da Era do Gelo, concluiu a reportagem.

Por Sputnik Brasil