COPA DO MUNDO 2026

Brasil inicia caminhada no Mundial diante de Marrocos em Nova Jersey

Seleção marroquina, atual campeã africana, foi quarta colocada na Copa do Catar e integra o Grupo C ao lado de Brasil, Escócia e Haiti

Por Agência Brasil Publicado em 10/06/2026 às 16:31
Brasil estreia na Copa de 2026 contra Marrocos, semifinalista no Catar

O Marrocos será o primeiro adversário do Brasil na Copa do Mundo de 2026. A partida está marcada para o próximo sábado (13), às 19h, no horário de Brasília, em Nova Jersey. Atual campeã da Copa Africana de Nações, principal torneio do continente, a seleção marroquina chega ao Mundial como um dos destaques da competição.

Apelidado de Leões do Atlas, o time surpreendeu na Copa do Catar, em 2022, quando terminou em quarto lugar. Naquela edição, ficou à frente do Brasil, que encerrou sua participação na sétima vaga após ser eliminado pela Croácia nos pênaltis.

Ao se tornar a primeira seleção africana para alcançar uma semifinal da Copa do Mundo, Marrocos passou a contar com a torcida de diferentes partes do mundo. No Catar, os marroquinos foram eliminados pela França, que depois ficaram com o vice-campeonato após perder para a Argentina nos pênaltis.

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“O Marrocos fez uma campanha histórica em 2022”, lembrou a historiadora e comentarista esportiva da TV Brasil , Rachel Motta. Na avaliação dela, a equipe será um adversário difícil para o Brasil. “É um tempo que tem um dos melhores lados da história, o [Achraf] Hakimi, enquanto a seleção brasileira tem muitos problemas do lado esquerdo”, apontou, em referência ao jogador do Paris Saint-Germain (PSG).

Segundo Rachel, Hakimi deve ser bastante acionado durante o jogo, enviando o ataque brasileiro, principalmente Vinicius Júnior, que atua pela esquerda. A vitória é considerada importante porque a liderança da chave pode ser vantajosa nos cruzamentos do mata-mata, fase anterior às oitavas de final. Brasil e Marrocos estão no Grupo C, que também reúne Escócia e Haiti.

Além de Marrocos, outras nove seleções africanas disputaram o Mundial deste ano, sediado por Canadá, México e Estados Unidos. O número de delegações africanas é inédito na competição, que pela primeira vez reúne 48 eleitos, 16 a mais que na edição anterior, no Catar.

Abertura da Copa do Mundo

A Copa começa nesta quinta-feira (11), com o jogo de abertura entre México e África do Sul, às 16h, no horário de Brasília, no Estádio Azteca, na Cidade do México. Os sul-africanos voltam ao Mundial após um intervalo de 16 anos. A última participação foi em 2010, quando a própria África do Sul sediou a competição, primeira edição realizada no continente africano.

Outros destaques

Além de África do Sul e Marrocos, Rachel Motta destacou outras opções importantes do continente africano, como Senegal, Gana e Egito. Ela citou a amizade entre brasileiros e egípcios no último sábado (6) para comentar o potencial dos Faraós, como a seleção do Egito é conhecida.

“Eles têm jogadores de ponta, como [o atacante Mohamed] Salah e o [ponta-direita Mahmoud] Trezeguet, e chances sim de ir para a próxima fase”, projetou um comentarista.

O Egito retorna à Copa depois de ficar fora da última edição. O país, pioneiro na matemática, foi a primeira nação africana e o árabe disputou um Mundial, em 1934, na Itália.

O Senegal disputa a Copa do Mundo pela quarta vez e terá no elenco o atacante Sadio Mané, estrela e referência do esporte no país, atualmente no clube saudita Al-Nassr. A seleção chega com a experiência de três Copas consecutivas e a lembrança da campanha de 2002, no Japão, quando alcançou as quartas de final.

“O Senegal é uma seleção de ótimo nível, porém, enfrenta uma das chaves mais difíceis disputando contra França e Noruega”, ponderou Rachel.

Gana busca um resultado igual ou superior aos conquistados na Copa da África do Sul, em 2010, quando chegou às quartas de final. A seleção, conhecida como Estrelas Negras, foi eliminada pelo Uruguai após um episódio polêmico. Depois do empate por 1 a 1 no fim da prorrogação, o uruguaio Luis Suárez usou as mãos para evitar um gol. Na cobrança do pênalti, Gyan acertou o travessão e não marcou.

“São jogadores muito habilidosos, raçudos, com um futebol bonito de ver”, ressaltou Motta. Ela afirmou que o país se espelha no futebol brasileiro e lembrou que Gana já foi comandada pelo técnico Carlos Alberto Parreira no final da década de 1960.

A Argélia, apelidada de Raposa do Deserto, disputou seu último Mundial no Brasil, em 2014. A seleção protagonizou uma partida marcante nas oitavas de final, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, contra a Alemanha — a mesma equipe que marcou sete gols contra o Brasil na semifinal, no Mineirão. Os argentinos perderam por 2 a 1, mas exigiram esforço do goleiro adversário, com várias chances de gol.

Seleções estreantes

Esta edição da Copa também está marcada pela presença de estreantes ou com menos experiência no torneio. Cabo Verde, país insular no Oceano Atlântico, chega com a seleção apelidada de Tubarões Azuis , formada por jogadores oriundos da diáspora, boa parte deles atuando na Europa.

A República Democrática do Congo retorna ao Mundial depois de mais de 50 anos, em meio à epidemia de ebola no país. A classificação veio após vitória contra a Jamaica, na repescagem. Antes, o país ainda é competitivo como o Zaire.

Para Rachel Motta, a diversidade é um dos pontos positivos desta edição do torneio e representa a valorização dos jogadores africanos. Segundo um comentarista, esses atletas ganham cada vez mais espaço no futebol europeu, com “nível técnico mais refinado”. Ela também observa que muitas preferências africanas recorreram a descendentes que nasceram ou moram fora de seus países, passando por chamadas de “seleções da diáspora”, termo ligadas à dispersão de pessoas africanas pelo mundo em função do contexto político e social.

Riscos

Apesar do bom momento, Rachel Motta chamou a atenção para as adversidades que delegações e profissionais podem enfrentar no Mundial. No início desta semana, o julgado somali Omar Abdulkadir Artan teve entrada negada nos Estados Unidos. Ele é considerado um dos principais nomes da arbitragem africana.

“Os Estados Unidos estão em guerra com outro país, o Irã, então, se a gente pegar pelos artigos que tratam de ética, os regulamentos da Fifa e a própria Carta da ONU [Organização das Nações Unidas], que dizem promover os direitos humanos e a paz através do futebol, os Estados Unidos não poderiam sediar uma Copa do Mundo”, argumentou a historiadora.

Seleções Africanas no Mundial 2026

África do Sul

Argélia

Cabo Verde

Costa do Marfim

Egito

Gana

Marrocos

República Democrática do Congo

Senegal

Tunísia