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Criança de 4.000 anos passa por cirurgia no crânio em achado raro da Idade do Bronze (FOTO)

Publicado em 03/06/2026 às 07:10
© Fotolia / Meisone

Cientistas descobriram em Djarkutan, no Uzbequistão, o crânio de uma criança de 4.000 anos com sinais claros de intervenção cirúrgica no crânio, a mais antiga já registrada na Ásia Central, um achado raro na Idade do Bronze.

Uma sepultura infantil encontrada em Djarkutan, no sul do Uzbequistão, revelou uma das evidências mais antigas de trepanação na Ásia Central. Os arqueólogos localizaram duas crianças enterradas lado a lado, e o crânio da mais velha, de cerca de cinco anos, apresenta uma abertura cirúrgica feita há aproximadamente 4.000 anos.

A descoberta, realizada por uma missão conjunta de universidades do Uzbequistão e da Itália, representa o registro mais antigo de intervenção cirúrgica na região e um dos primeiros exemplos conhecidos na Ásia. A análise indica que a abertura foi feita de forma deliberada, provavelmente com ferramentas de pedra ou osso.

O esqueleto de uma criança de cinco anos foi encontrado em uma sepultura individual em Djarkutan, enterrado ao lado dos restos mortais de uma criança mais nova
O esqueleto de uma criança de cinco anos foi encontrado em uma sepultura individual em Djarkutan, enterrado ao lado dos restos mortais de uma criança mais nova

A trepanação, prática presente em diversas sociedades antigas, podia ter finalidades médicas ou rituais. Em Djarkutan, onde cura e espiritualidade se entrelaçavam, a operação pode ter sido motivada por doenças neurológicas, traumas ou interpretações simbólicas da enfermidade.

A raridade do achado impressionou os pesquisadores, já que trepanações infantis desse período são extremamente incomuns, sugerindo que alguns habitantes possuíam conhecimento anatômico e status social suficientes para realizar um procedimento de alto risco em uma criança pequena.

Djarkutan era um dos principais centros urbanos da civilização do Oxus, marcada por agricultura irrigada, artesanato especializado e redes de troca que conectavam o Uzbequistão ao Irã, ao Afeganistão e ao Vale do Indo. O sepultamento reforça a complexidade social e o domínio técnico presentes no assentamento.

Localizada na região do Surkhan Darya, a cidade integrava um corredor por onde circulavam ideias, materiais e tecnologias muito antes da Rota da Seda. A operação craniana pode refletir tradições locais de cura ou influências culturais mais amplas e levanta questões sobre quem realizou o procedimento e qual era seu papel na comunidade.

O projeto arqueológico, iniciado em 2024, reúne especialistas de várias áreas para reconstruir o cotidiano, a saúde e as práticas funerárias de Djarkutan, além de conectar o sítio a pesquisas no Irã.

Estudos paleogenéticos e antropológicos posteriores devem oferecer novas respostas nos próximos meses sobre quem seriam os protagonistas desta evidência histórica intrigante.


Por Sputinik Brasil