Deschamps minimiza favoritismo da França na Copa: 'São 10 ou 12 candidatas e só uma vencerá'
Didier Deschamps se despede da seleção francesa na Copa do Mundo dos Estados Unidos, Canadá e México podendo se tornar o único da história ao ganhar um título como jogador (1998) e dois na função de treinador (venceu a primeira em 2018). Apenas ele, Zagallo e Beckenbauer ganharam jogando e comandando (mas sem bicampeonato de um treinador). O atual vice-campeã chega entre as favoritas, mas o técnico faz questão de diminuir a pressão sobre seu elenco.
"Criamos essa expectativa por causa dos nossos resultados. Conquistamos um título (em 2018) e chegamos a uma final (em 2022), o que naturalmente faz nossos torcedores imaginarem a França novamente brigando pelo troféu em julho", admitiu o técnico, ao site oficial da Fifa.
O treinador, contudo, ressalta a força de outros concorrentes para evitar salto alto na competição e desconcentração de seu forte elenco. "Fazemos parte de um grupo de 10 ou 12 candidatos que podem sonhar em ser campeãs do mundo. Mas vocês sabem o que vão conseguir? Apenas uma. Então há pelo menos outras 11 opções que sairão decepcionadas."
Do lado pessoal, Deschamps garante não estar pensando em registrar nem sobre o que já fez pela França. Também evita falar sobre o adeus. "Eu penso apenas no hoje e no amanhã. É assim que eu funciono", afirmou, mostrando-se concentrado nas partidas nos EUA, Canadá e México. "Sinceramente, é a única coisa que importa. Estou totalmente focado nisso (a Copa do Mundo de 2026)."
Mesmo assim, tive de responder mais uma vez sobre o passado. "1998 e 2018? A história já foi escrita e ninguém pode apagá-la. Em 1998 e em 2018 eu tinha funções diferentes, mas estive presente nas duas conquistas. Vivi dois momentos maravilhosos, tive a felicidade de conquistar títulos por clubes, a Liga dos Campeões e tudo o que se pode imaginar, mas não existe nada melhor do que ser campeão do mundo", destacou. “Todos os jogadores que conquistaram esse troféu, independentemente do país, continuaram tendo o mesmo nome e sobrenome, mas ganharam três palavras a mais: campeão do mundo”.
O comandante ainda fez uma prévia do que vai encarar pela frente. Ele admite um elenco recheado de estrelas e que nem todos poderão jogar ao mesmo tempo. "É impossível que joguem todos ao mesmo tempo", admitiu. "Existe um potencial enorme (no grupo), mas precisamos encontrar o entrosamento certo, e não apenas escalar pelo talento individual. É preciso equilíbrio, mas acima de tudo que os jogadores sejam complementares e tenham uma boa conexão dentro de campo."
Não esconde, no entanto, ter um dos tempos mais talentosos do Mundial. “Em termos de qualidade individual, sim, temos recursos e diversas opções”, revelou. "O único pequeno aspecto que exige atenção agora, e isso é um fato, é que os jogadores de 2018 já tiveram vivido a Copa de 2014 e a Eurocopa de 2016. Agora tenho atletas mais jovens, que ainda não possuem experiência em grandes competições."
A França está no Grupo I e estreia diante de Gana (dia 16). O segundo jogo será contra o Iraque (22) e o encerramento da fase de classificação ocorrerá frente à Noruega (26).