Turquia aposta em juventude para surpreender no grupo D
Ausente desde 2002, país enfrentará anfitriões EUA, Paraguai e Austrália
Anfitriões da Copa do Mundo pela segunda vez, os Estados Unidos terão um grupo acessível para tentar chegar ao mata-mata, mas não devem entrar como favoritos.
A chave D do torneio também conta com Austrália, Paraguai e Turquia, seleção treinada pelo italiano Vincenzo Montella e que, apesar de ter se classificado apenas na repescagem (passando por Romênia e Kosovo), desponta como forte candidata a zebra do Mundial de 2026.
Os turcos não disputam a Copa desde 2002, quando deram trabalho para o Brasil na fase de grupos e nas semifinais e terminaram em um inédito terceiro lugar. Para este ano, a meta vai muito além de participar.
O elenco treinado por Montella conta com jovens estrelas do futebol europeu, como o criativo meia Arda Guler (Real Madrid), e o habilidoso e rápido ponta-esquerda Kenan Yildiz (Juventus), ambos de 21 anos. Juntos, os dois somam 17 gols e 24 assistências por seus clubes na temporada.
Mas a Turquia não é feita apenas de jovens talentos: o cerebral meia Hakan Çalhanoglu, 32 anos, é arma letal em bolas paradas e chutes de longa distância, enquanto Merih Demiral (Al-Ahli) é garantia de experiência na zaga. O ponta Baris Alper Yilmaz e o polivalente lateral-esquerdo Ferdi Kadioglu também recheiam um elenco que promete dar trabalho.
Os EUA, por sua vez, têm como destaques dois meio-campistas do futebol italiano: Christian Pulisic, craque dessa geração, e Weston McKennie, ambos titulares absolutos de Milan e Juventus, respectivamente.
A presença no banco de reservas de um treinador com experiência no mais alto nível, Mauricio Pochettino, é uma fonte de esperança para a torcida americana, mas os últimos resultados nem sempre foram convincentes.
Se a vitória sobre o Paraguai (adversário da estreia dos EUA) por 2 a 1 e a goleada de 5 a 1 sobre o Uruguai no fim do ano passado animaram a torcida, as derrotas para Bélgica (5 a 2) e Portugal (2 a 0) em março acenderam o sinal de alerta, sobretudo na defesa, com zagueiros pouco confiáveis e alas que podem ser presas fáceis contra times agressivos.
Já os paraguaios retornam à Copa após 16 anos e com seu estilo já conhecido: pouca posse de bola, defesa bem postada e paciência para esperar a hora certa de atacar.
Tudo isso temperado por velhos conhecidos dos brasileiros, como o contestado goleiro Gatito Fernández, ex-Botafogo e hoje no Cerro Porteño; os zagueiros Gustavo Gómez, titular e capitão do Palmeiras, e Júnior Alonso, do Atlético Mineiro; e Damián Bobadilla, volante do São Paulo.
A campanha da Albirroja nas Eliminatórias foi irregular, mas contou com vitórias sobre Brasil e Argentina e apenas quatro derrotas — para efeito de comparação, a seleção brasileira perdeu seis vezes, embora tenha terminado na frente do competitivo Paraguai, que tem como principal referência técnica o meio-campista Julio Enciso, habilidoso meia de 22 anos do Strasbourg.
País menos cotado do grupo D, a Austrália busca repetir o feito de 2006 e 2022, quando chegou nas oitavas de final, mas chega rodeada de dúvidas devido a problemas de lesões, como o zagueiro Harry Souttar (Leicester).
A expectativa é de que os "socceroos" apostem mais uma vez em um jogo altamente físico, de ligações diretas e bolas paradas para avançar em um grupo que não conta com nenhum bicho-papão. Foi dessa maneira que o país chegou às oitavas de final em 2022, quando caiu para a futura campeã Argentina, em uma campanha de um gol por jogo no Catar. Nestory Irankunda (Watford), ponta-direita de 20 anos nascido na Tanzânia, desponta como candidato a revelação australiana na Copa.