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Astrônomos identificam sistema binário que pode explicar pulsos de rádio enigmáticos

Publicado em 02/06/2026 às 06:52
Representação artística mostra sistema binário com anã branca magnetizada, origem dos pulsos de rádio enigmáticos. © Foto / NAO

Um novo transiente de rádio de longo período foi rastreado até uma anã branca altamente magnetizada em um sistema binário, oferecendo a primeira explicação concreta para esses pulsos raros e lentos que intrigam astrônomos desde 2022 e revelando pistas para decifrar essa nova classe de fenômenos cósmicos.

Um sinal de rádio extremamente lento detectado no plano da Via Láctea há poucos anos inaugurou um novo mistério astronômico: os transientes de rádio de longo período (LPTs, na sigla em inglês). Inicialmente tratados como possíveis anomalias isoladas, eles começaram a surgir em diferentes regiões da galáxia, formando um pequeno conjunto de fontes que não se encaixavam em nenhum tipo conhecido de objeto celeste.

A virada veio quando uma equipe liderada por Kovi Rose, da Universidade de Sydney, conseguiu rastrear um desses sinais até uma variável cataclísmica magnética — uma anã branca altamente magnetizada que canibaliza sua estrela companheira. Pela primeira vez, um LPT pôde ser associado de forma clara a um sistema binário em acreção, oferecendo uma pista concreta sobre sua origem.

Representação artística de uma variável cataclísmica magnética binária
Representação artística de uma variável cataclísmica magnética binária

O interesse pelos LPTs havia crescido desde 2022, quando o objeto GLEAM‑X J162759.5−523504.3 foi visto pulsando a cada 18 minutos, brilhando por menos de um minuto e depois desaparecendo. A descoberta de outros objetos semelhantes mostrou que não se tratava de um caso isolado, e os astrônomos passaram a considerar hipóteses envolvendo anãs brancas magnetizadas e sistemas binários extremamente compactos.

Em 2025, um avanço importante ocorreu quando o LPT ILT J1101+5521 foi ligado a um par formado por uma anã branca e uma anã vermelha, cujos campos magnéticos colidiam e produziam pulsos de rádio. Outro objeto, ASKAP J1832‑0911, acrescentou complexidade ao emitir também raios X, sugerindo processos energéticos mais intensos do que o previsto.

A nova descoberta, ASKAP J1745‑5051, é o primeiro objeto a reunir todas essas características dispersas: emissão de rádio e raios X, uma anã branca em forte interação com uma companheira, atividade magnética intensa e acreção ativa. Observações do radiotelescópio ASKAP e de telescópios de raios X revelaram pulsos sincronizados com um período orbital de 81 minutos, confirmando a natureza binária e cataclísmica do sistema.

Dados ópticos do telescópio SOAR mostraram duas anãs brancas no local da emissão, com espectros que confirmam o período orbital. A cada órbita, a anã branca atrai material da companheira, aquecendo-o a milhões de graus e produzindo raios X, enquanto o choque entre campos magnéticos gera o sinal de rádio — um mecanismo que ajuda a explicar outros LPTs observados.

A combinação inédita de características reunidas em ASKAP J1745‑5051 dá aos astrônomos a primeira estrutura coerente para interpretar os LPTs e indica que muitos desses sinais podem ter origens semelhantes. Para a comunidade científica, a descoberta marca um passo decisivo na compreensão dessa nova classe de fenômenos cósmicos, que começa agora a ganhar contornos mais claros.


Por Sputinik Brasil