DISCRIMINAÇÃO

Adolfo Daniel Vallejo pode ser multado por "comentários sexistas" após derrota no Aberto da França.

Por Por Samuel Petrequin, repórter esportivo da Associated Press. Publicado em 29/05/2026 às 15:30
Adolfo Daniel Vallejo, do Paraguai, devolve uma bola para Moise Kouame, da França, durante a partida de tênis da segunda rodada do torneio de simples masculino do Aberto da França, em Paris, na quinta-feira, 28 de maio de 2026. Foto AP/Emma Da Silva.

PARIS (AP) — Adolfo Daniel Vallejo receberá uma multa significativa por seus "comentários sexistas" no Aberto da França, após afirmar que sua partida da segunda rodada não deveria ter sido arbitrada por uma mulher.

Vallejo perdeu para o jovem francês Moise Kouame na quinta-feira, após uma tensa batalha de cinco sets que durou quase cinco horas na quadra Suzanne-Lenglen.

“Este tipo de partida precisa ser arbitrado por um homem”, disse Vallejo à revista Clay após sua derrota por 6-3, 7-5, 3-6, 2-6, 7-6 (8). “É muito difícil para uma mulher fazer isso.”

Os comentários dele foram “inaceitáveis”, disseram na sexta-feira a Federação Francesa de Tênis e os organizadores de Roland Garros.

Adolfo Daniel Vallejo, do Paraguai, devolve uma bola para Moise Kouame, da França, durante a partida de tênis da segunda rodada do torneio de simples masculino do Aberto da França, em Paris, na quinta-feira, 28 de maio de 2026. (Foto AP/Emma Da Silva)

“A competência de um árbitro não é determinada pelo seu gênero, mas sim pelo seu profissionalismo e capacidade de arbitrar no mais alto nível”, acrescentaram em comunicado. “O resultado de um evento esportivo, seja ele positivo ou negativo, jamais poderá justificar ou desculpar tais comentários. Os organizadores do torneio aplicarão uma sanção significativa a Adolfo Vallejo na forma de multa.”

Os organizadores não divulgaram o valor da multa, mas os jogadores que chegam à segunda rodada do Aberto da França recebem 130.000 euros (US$ 151.000).

Kouame estava perdendo por 5-3 no quinto set e por 8-7 no tiebreak. A torcida francesa estava barulhenta e Vallejo, do Paraguai, disse que a árbitra, Ana Carvalho, do Brasil, não controlou os espectadores.

“Tem que ser um árbitro homem, porque é uma torcida muito exigente e é preciso muita força para ir contra a multidão”, disse ele. “A torcida estava muito descontrolada, mas eu entendo que eles estavam apoiando o compatriota. É uma torcida bastante intensa e por isso eu estava preparado; eu já sabia que seria assim e, para ser honesto, isso não me prejudicou, pelo contrário, me fortaleceu.”

Vallejo acrescentou que Kouame "perdia muito tempo em diversas ocasiões, deitado no chão ou enrolando".

“E não é normal a torcida ficar gritando por um minuto inteiro sem que nada aconteça. Em uma partida onde o aspecto físico é tão importante, se você dá muito tempo para um jogador, é óbvio que ele vai se aproveitar disso. A verdade é que também é difícil para o árbitro lidar com essa situação.”

Os organizadores de Roland Garros disseram que condenam "todos os comentários sexistas, independentemente de quem os faça" e ofereceram seu apoio ao árbitro da partida "e, de forma mais ampla, a todos os oficiais de arbitragem do torneio".

Moise Kouame, da França, reage durante a partida contra Adolfo Daniel Vallejo, do Paraguai, na segunda rodada do torneio de tênis de simples masculino do Aberto da França, em Paris, na quinta-feira, 28 de maio de 2026. (Foto AP/Emma Da Silva)