Nova placa tectônica pode estar surgindo na África, revela estudo
Pesquisadores detectam sinais geoquímicos inéditos na Fenda de Kafue, indicando início de separação continental.
Pesquisadores identificaram sinais de que a África Subsaariana pode estar nos projetos iniciais de formação de uma nova fronteira entre placas tectônicas, especificamente na região da Fenda de Kafue, na Zâmbia.
O estudo, publicado na revista científica Frontiers in Earth Science, analisou gases liberados por fontes termais e poços geotérmicos localizados sobre essa estrutura geológica.
As pesquisas anteriores já apontaram que os limites seriam reservados na área, como pequenos terremotos, aumento da temperatura subterrânea e elevações sutis do solo. Agora, os cientistas detectaram níveis elevados de hélio-3, um elemento normalmente associado a materiais provenientes do manto terrestre.
Segundo os autores, esse tipo de sinal geoquímico pode indicar que a crosta terrestre está esticada e permitindo a ascensão de fluidos profundos até a superfície. Temperaturas de hélio inesperadamente altas sugerem fragilidade e possível rompimento da crosta até o manto.
A transformação geológica, no entanto, ocorre numa escalada de tempo muito lenta para os padrões humanos e só deve alterar o mapa do planeta em milhões de anos. Enquanto isso, a região pode aproveitar oportunidades para geração de energia geotérmica, com potencial para transferências de economias locais.
A Fenda de Kafue integra o Sistema de Rifte do Sudoeste Africano, que se estende da Tanzânia à Namíbia e que, caso continue evoluindo, poderá se tornar um novo limite tectônico, dividindo a África ao meio.
A crosta terrestre não é uma peça única, mas formada por várias placas gigantes que flutuam sobre o manto parcialmente derretido e em movimento lento. O próximo contato entre elas impede a movimentação livre dessas placas.