ESCÂNDALO NO ESPORTE

Técnico filmou escondido jogadoras de clube checo no chuveiro por 4 anos

Ex-atleta do Slovacko relata impacto psicológico e cobra punições mais severas após descoberta de gravações clandestinas feitas por treinador

Publicado em 12/05/2026 às 15:46
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Kristyna Janku, ex-jogadora do Slovacko, equipe da primeira divisão feminina da República Checa, revelou detalhes do caso envolvendo o técnico Petr Vlachovsky, que filmou atletas escondidas no chuveiro por quatro anos. Em entrevista ao jornal checo Seznam Zpravy, Kristyna relatou o trauma causado pela descoberta e defendeu medidas mais rigorosas para evitar novos episódios semelhantes no esporte.

Segundo a atleta, ela e suas companheiras só souberam da existência das gravações ao serem convocadas para depor na delegacia. As jogadoras precisaram assistir aos vídeos para confirmar suas identidades. "Não vimos a câmera que ele estava usando. Tivemos que ver as gravações para nos identificarmos. Fiquei em choque. Você não acredita que isso está realmente acontecendo", declarou Kristyna.

O treinador, segundo relatos, ainda compartilhava os conteúdos com outro homem pela internet. Kristyna afirmou ter recebido um alerta de um policial durante as investigações: "O policial me avisou: Você é a pessoa mais comentada nessas conversas. Foram coisas realmente repugnantes", contou.

Com mais de dez anos de atuação no Slovacko, a atleta garantiu que jamais suspeitou do comportamento do treinador ao longo do tempo em que trabalharam juntos. "Éramos como uma grande família. Durante todo o tempo, era como se ele fosse outra pessoa. Ele tinha uma segunda personalidade", afirmou.

Petr Vlachovsky foi condenado pelos crimes e por posse de material de abuso sexual infantil. Apesar da gravidade, sua prisão foi suspensa e ele está proibido de exercer funções como treinador na República Checa por apenas cinco anos. A decisão provocou críticas da Associação Tcheca de Jogadores de Futebol, que defende punição permanente e válida internacionalmente.

Marketa Vochoska Haindlova, representante da entidade, expressou preocupação com a possibilidade de o técnico atuar em outros países: "Não deveria ser possível, como nesse caso, que o treinador simplesmente mude de um continente para outro e faça o que bem entender", afirmou.

Kristyna decidiu tornar o caso público para proteger outras atletas e ampliar o debate sobre segurança no ambiente esportivo. "Paradoxalmente, isso está me ajudando, transformando o negativo em positivo, quando vejo que podemos tentar trazer alguma mudança. Não quero que nenhuma outra menina ou mulher no futebol, ou em qualquer outro esporte, seja prejudicada dessa forma", concluiu.