IMBRÓGLIO JURÍDICO

Crise entre SAF e Botafogo chega ao STJ e paralisa decisões sobre o clube

Conflito entre clube associativo, Eagle Bidco e administradoras da SAF ganha novo capítulo e trava negociações para o futuro do Botafogo.

Publicado em 12/05/2026 às 09:38
Vitor Silva / BFR

O Botafogo enfrentou mais um impasse jurídico para definir os rumores da SAF. O conflito entre o clube associativo e a Eagle Bidco foi iniciado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por determinação do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A arbitragem devolveu os poderes políticos da Eagle Bidco na SAF. A empresa, que detém 90% das ações, teve sua participação congelada por decisão da Justiça do Rio no final de abril. Na prática, isso permite que a Cork Gully, administradora da companhia, possa vender as ações. Até então, após decisão judicial, o clube associativo, detentor dos outros 10%, tinha autonomia para negociar a chegada de um novo investidor — com a empresa americana GDA Luma despontando como favorita.

A Ares, uma das financiadoras da compra de Lyon pelo grupo de John Textor, rompeu com o empresário americano pelo descumprimento de cláusulas financeiras, especialmente relacionadas à liquidez e à alienação, assumindo o controle da Eagle. A empresa mantém boa relação com Michele Kang, que passou a liderar a gestão do clube francês.

A devolução dos poderes à Eagle/Ares pode impactar diretamente a recuperação judicial do Botafogo. Isso porque a SAF contou com R$ 122,3 milhões provenientes de uma ação movida contra o Lyon, na qual o clube carioca ganhou de causa na 17ª Vara Cível do RJ. Agora, existe a possibilidade de uma dívida não ser reconhecida.

A decisão arbitral também foi irregular a indicação de Durcesio Mello como gestor interno da SAF. O clube associativo foi nomeado o ex-presidente após a própria arbitragem afastar John Textor, e Mello também foi ratificado pela Justiça do Rio.

O novo entendimento arbitral contrário à decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), mas mantém John Textor afastado, separando-o da Eagle Bidco. A decisão determina ainda que o STJ analise o tema, ampliando a disputa jurídica.

Com isso, a Eagle Bidco volta ao direito de representação na Assembleia Geral Extraordinária, marcada para 14 de maio. Enquanto isso, o Botafogo segue enfrentando graves problemas financeiros e, nesta segunda-feira, acumulou o terceiro banimento de transferência da Fifa.