Diretor ligado a Casares deixa o São Paulo após questionamentos sobre repasses
Eduardo Toni pede demissão do marketing tricolor após polêmica envolvendo contrato de patrocínio e pressão interna
O diretor de marketing do São Paulo, Eduardo Toni, pediu demissão nesta segunda-feira (24), em meio a intensas pressões internas. Em nota, Toni atribuiu sua saída ao "ódio e à disputa fratricida da política interna" do clube.
A saída ocorre após questionamentos sobre o pagamento de comissões a uma empresa intermediária em um novo contrato de patrocínio com a Unimed. Toni, aliado do ex-presidente Julio Casares, permaneceu na gestão mesmo após Harry Massis Jr. assumir a presidência, sucedendo Casares.
O impasse surgiu após a identificação de uma cláusula no acordo com a Unimed, que previa o pagamento de R$ 4,5 milhões à corretora New Honest — correspondente a 10% do valor total do contrato de R$ 45 milhões, válido por três anos. A detecção do repasse, na véspera da votação pelo Conselho de Administração, levou o clube a refazer o documento, excluindo a participação da intermediária para que o contrato fosse firmado diretamente com a seguradora. A informação foi divulgada inicialmente pelo Uol e confirmada pelo Estadão.
O Conselho de Administração deverá votar novamente o patrocínio da Unimed nas próximas semanas, desta vez sem a participação da corretora.
Segundo avaliação interna, a New Honest, que já presta serviços de plano de saúde para funcionários e atletas do clube, não possuía histórico para intermediar contratos dessa natureza. Apesar de a indicação ter partido do departamento de marketing, a diretoria optou por recuar para evitar conflitos políticos e garantir a aprovação do patrocínio pelos conselheiros.
Em resposta ao Estadão, Toni afirmou que "a intermediação foi transparente, documentada e autorizada pela presidência e demais diretores". Ele ressaltou que a New Honest recebeu mandato oficial do São Paulo para buscar empresas do setor de seguros, após tentativas frustradas de negociação direta com outras marcas.
Toni classificou as críticas como "frágeis" e de cunho "político", destacando que a empresa tem registro na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) para agenciamento de negócios e que a prática é comum no mercado.
Esta não é a primeira vez que Eduardo Toni enfrenta pressão na gestão de Massis Jr. O diretor já foi questionado por acordos anteriores, como o contrato com a Live Nation, que obriga o São Paulo a atuar fora do MorumBis durante shows, e a renovação com a New Balance por seis anos, que gerou pedido de esclarecimento de conselheiros diante de proposta da Penalty.
Veja a nota de demissão de Eduardo Toni, ex-diretor de marketing do São Paulo:
"Encerro meu ciclo no São Paulo após cinco anos e quatro meses de muito trabalho, empenho e dedicação. Aceitei esse desafio em 2021, principalmente por amor ao São Paulo.
Nestes 64 meses sob meu comando, aumentamos o faturamento da área de marketing em mais de 10 vezes, fizemos um turnaround na marca, iniciamos um resgate da área de marketing.
Não há em todos os negócios feitos neste período nenhuma conduta ilegal, não há nenhum valor desviado, não há nada de errado. Recebi apoio de vários parceiros comerciais do São Paulo, o que me orgulha e acaba com qualquer suspeita sobre a minha ilibada reputação.
Infelizmente, o ódio e a disputa fratricida da política interna do São Paulo minam a continuação de qualquer trabalho e colocam em risco o futuro da instituição. Agradeço a todos que colaboraram nesta jornada, em especial aos membros da área de marketing do São Paulo, grandes profissionais e amigos."