Telescópio James Webb identifica nuvens de gelo de água em exoplaneta gigante
Descoberta em Epsilon Indi Ab desafia modelos atuais sobre atmosferas de planetas gasosos
Utilizando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), os astrônomos detectaram nuvens de gelo de água na atmosfera do exoplaneta Epsilon Indi Ab, um frio super-Júpiter que desafia os modelos existentes das atmosferas de planetas gigantes.
Epsilon Indi A é uma estrela situada a cerca de 12 anos-luz da Terra, na constelação austral do Índio. Também chamada de HD 209100, a estrela tem entre 3,7 bilhões e 5,7 bilhões de anos, segunda informações do Sci.News.
Menos massivo e ligeiramente menos quente que o Sol, Epsilon Indi A é orbitado por um exoplaneta gasoso gigante, cuja massa supera várias vezes a de Júpiter.
O exoplaneta, batizado de Epsilon Indi Ab, apresenta temperatura superficial entre 200 e 300 K (aproximadamente -70 °C a 20 °C).
"Este planeta tem uma massa consideravelmente maior do que Júpiter – o novo estudo fixa sua massa em 7,6 massas de Júpiter – mas o diâmetro é aproximadamente o mesmo que o do seu primo do Sistema Solar", explica Bhavesh Rajpoot, doutorando no Instituto Max Planck de Astronomia.
Utilizando o instrumento MIRI, que opera no infravermelho médio do JWST, Rajpoot e sua equipe obtiveram imagens diretas do Epsilon Indi Ab e estimaram a quantidade de amônia presente em sua atmosfera, conforme detalhado em artigo publicado na Astrophysical Journal Letters.
“Para Júpiter, tanto o gás amônia quanto as nuvens de amônia dominam as camadas superiores da atmosfera visível nas observações”, afirmam os pesquisadores.
Diante das características do exoplaneta, acreditava-se que Epsilon Indi Ab também apresentasse grandes quantidades de gás amônia, embora não houvesse nuvens de amônia. Surpreendentemente, uma análise fotométrica revelou menos amônia do que o esperado.
A explicação mais plausível para esse déficit, segundo os astrônomos, é a presença de nuvens espessas, porém irregulares, de gelo de água — semelhantes às nuvens cirros de alta altitude na atmosfera terrestre.
“O que antes parecia impossível de detectar está agora ao nosso alcance, permitindo explorar a estrutura dessas atmosferas, inclusive a presença de nuvens”, concluem os pesquisadores.