FUTEBOL

Quem assume a SAF do Botafogo com a saída de Textor? Entenda cenário e os próximos passos

Publicado em 24/04/2026 às 12:50
John Textor Reprodução / Instagram

O imbróglio administrativo que vive o Botafogo alcançou seu ponto mais alto nesta quinta-feira, 23, com o afastamento de John Textor do comando da SAF alvinegra. A decisão da Câmara de Arbitragem da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no entanto, não colocou um ponto final na disputa pelo controle do futebol botafoguense e novos capítulos deverão movimentar os bastidores nos próximos dias.

Apesar de ter sido afastado do comando do Botafogo, Textor ainda tem chance de voltar ao Botafogo. Isso porque a deliberação da Arbitragem, ferida em caráter provisório, será revista em 29 de abril. Em nota, a SAF informou que irá tomar “todas as medidas cabíveis para reverter a decisão”.

Em janeiro, Textor foi afastado do controle da Eagle Football Holdings Bidco – empresa que, dentro da estrutura do grupo, é responsável por dissuadir diretamente as participações nos clubes, como Botafogo e Lyon. A Bidco está subordinada à Eagle Football Holdings, holding do grupo de qual americano segue como principal acionista, mas sem controle operacional sobre os ativos.

Diante da disputa entre o Textor e os demais acionistas da Eagle, a Justiça do Rio de Janeiro determinou, em outubro de 2025, que a governança da SAF do Botafogo não pode ser alterada até a conclusão de Arbitragem conduzida pela FGV, cujo prazo pode chegar a 21 meses.

A decisão de retirar Textor do controle do Botafogo após notificação feita pela Eagle Bidco à Câmara sobre possíveis irregularidades do americano na gestão da SAF após a instauração da arbitragem e sem a deliberação societária, como por exemplo o pedido de recuperação judicial à Justiça do Rio.

A SAF do Botafogo indicou Durcesio Mello para exercer interinamente o cargo de Diretor Geral. Ele é aliado de Textor, foi o presidente responsável pela transição do futebol alvinegro das mãos do clube associativo para a empresa do americano e tem a missão de tocar o processo de Recuperação Judicial protocolado na Justiça - a divisão é de aproximadamente R$ 2,6 bilhões.

SAF DO BOTAFOGO ESTÁ À VENDA?

Com Textor fora do baralho por hora, a Eagle Bidco se movimenta para encontrar um novo investidor para a SAF do Botafogo. Liderado pelo presidente João Paulo Magalhães, o clube associativo, que detém 10% do futebol alvinegro e possui papel de fiscalização na SAF, também está em busca de fontes para um novo esporte.

Quem controla a Eagle Bidco é a Cork Gully (responsável pelo anúncio de venda da SAF no Financial Times). A empresa de consultoria em reestruturação financeira e operacional foi escolhida em um processo na Inglaterra pelo fundo Ares, credor da Eagle Bidco.

Segundo o jornalista Diogo Dantas, da Globo, um dos detalhes é o fundo de investimento GDA Luma. A Ares também planeja um acordo de 50 milhões de euros (20 milhões imediatos + 30 milhões condicionados à venda de atletas) com o Botafogo social “para assumir o controle” até a chegada de um novo investidor.

A SAF do Botafogo possui uma dívida de aproximadamente R$ 125 milhões com a GDA Luma, como aponta a lista de credores enviada à Justiça do Rio no pedido de recuperação judicial revelado pela ESPN. O valor é referente a um empréstimo que John Textor fez com a empresa para custear despesas importantes no início do ano, como honrar compromissos de curto prazo e cancelar o horário do banimento de transferência da Fifa - na terça-feira 28, o horário foi punido novamente e está momentaneamente impedido de registrar atletas.

Textor convocado para 27 de abril uma Assembleia Geral Extraordinária, na qual pretendia oferecer o aporte de US$ 25 milhões (cerca de R$ 125 milhões) por meio de novas emissões da SAF. O clube social discordou do empréstimo inicial, feito com a própria GDA e interesses interessantes poderiam acarretar em novos problemas de caixa, e também não concordam com a diluição da empresa.

Em nota oficial, o Botafogo associativo informou que já “mantém conversas com potenciais investidores” e citou o descumprimento de obrigações previstas no acordo de acionistas por parte da Texor. "Quando a aprovação da constituição da SAF Botafogo, o Botafogo de Futebol e Regatas partiu da premissa de que seus parceiros atuariam com o nível de compromisso, diligência e alinhamento necessários à relevância e à história do clube. É legítimo afirmar que o cenário hoje observado é aquém dessas expectativas", afirmou o clube.