CONFLITO DE INTERESSES

Bap questiona possível venda da SAF do Vasco a enteado de Leila Pereira

Presidente do Flamengo levanta suspeitas sobre conflito de interesses em negociação bilionária envolvendo Marcos Lamacchia e o controle da SAF vascaína.

Publicado em 23/04/2026 às 19:55
Luiz Eduardo Baptista, o Bap Reprodução / Instagram

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, manifestou preocupação nesta quinta-feira (6) quanto ao possível acordo para a venda da SAF do Vasco ao empresário Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Para Bap, há indícios de conflito de interesses na operação.

Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia — marido de Leila e dono da financeira Crefisa —, negocia há meses a compra de 90% da SAF do Vasco por pouco mais de R$ 2 bilhões. As tratativas avançaram recentemente, e há expectativa de que o acordo seja formalizado em breve.

"Vamos falar especificamente do caso de Palmeiras e Vasco. No mundo inteiro, existem soluções em que fica muito claro que não é possível ser dono de dois clubes. 'Ah, mas ali não tem propriedade cruzada'. É claro que tem, a legislação nacional é muito clara a respeito disso", afirmou o dirigente rubro-negro.

Bap também mencionou o empréstimo de R$ 80 milhões feito pela Crefisa ao Vasco, cujo presidente é Leila Pereira. Na operação, realizada no ano passado, 20% das ações da Vasco SAF foram oferecidas como garantia.

"Eu queria ver qual instituição financeira vai emprestar dinheiro para vocês e vai pedir como garantia o título da sua dívida. Quem faria isso? Só quem quiser tomar conta da sua casa. É só olhar o caso do empréstimo da Crefisa ao Vasco da Gama e qual foi a garantia solicitada", questionou Bap.

A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão da CBF responsável pela fiscalização do setor, ainda não foi notificada oficialmente sobre o acordo. No entanto, representantes de Lamacchia já mantêm conversas informais com a entidade.

Como não atua preventivamente, a ANRESF só iniciará a fiscalização após a alteração societária no Vasco. Entre os pontos a serem analisados estão a influência econômica e a capacidade de decisão do grupo que pretende adquirir as ações do clube.

Lobby em Brasília

Bap concedeu as declarações após participar do Fórum Nacional de Formação Esportiva, promovido pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), em Campinas.

O dirigente lidera um movimento em Brasília para derrubar o veto da reforma tributária que mantém os clubes associativos sob carga tributária mais elevada em relação às SAFs. Bap tem articulado encontros com políticos e dirigentes esportivos influentes.

O veto faz com que associações, antes isentas de grande parte dos impostos, passem a ter alíquotas maiores do que equipes com regime de SAF, como Atlético-MG, Bahia, Botafogo e Cruzeiro. A partir de 2027, as associações devem pagar entre 10,5% e 15,5% sobre a receita bruta, enquanto as SAFs pagam 6%.

Bap argumenta que o novo regime ameaça o investimento nos esportes olímpicos do Flamengo, que faturou R$ 2,1 bilhões em 2025. "O esporte está vivendo de esmolas no Brasil. Estão tentando tirar o pouco que temos", afirmou.

Na próxima terça-feira, às 9h30, haverá audiência na Comissão do Esporte do Senado para discutir o tema. "A gente vai ganhar essa batalha", acredita Marco Antonio La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), também presente no evento.

Segundo o Conselho Nacional de Comitês Esportivos (CNCE), as mudanças tributárias "impõem carga incompatível com as organizações esportivas que não distribuem lucros e reinvestem integralmente seus recursos em atletas, infraestrutura e projetos sociais".