Ídolo no Brasil e na Itália, Oscar Schmidt construiu legado no basquete europeu
Lendário ex-jogador defendeu Juvecaserta e Pavia no Belpaese
Antes do brasileiro Oscar Schmidt, poucos atletas estrangeiros tiveram impacto tão grande no basquete italiano e, depois dele, praticamente ninguém conseguiu repetir esse feito.
A Série A foi palco de atuações memoráveis, marcadas por uma verdadeira avalanche de pontos a cada partida. No Brasil, isso lhe rendeu o apelido de "Mão Santa" e, com esse talento extraordinário, brilhou nas quadras ao redor do mundo. Além do país natal, o município italiano de Caserta, sua cidade adotiva, da qual se tornou símbolo e depois cidadão honorário, também lamentou a morte de Oscar.
A lenda do basquete morreu em um hospital em Santana de Parnaíba, em São Paulo, após ter passado mal em casa. Ele tinha 68 anos e lutava há anos contra um tumor cerebral.
Aos 21, teve seu primeiro grande momento internacional ao conquistar a Copa Intercontinental com o Sírio, superando grandes equipes europeias. Seu talento chamou a atenção do técnico Bogdan Tanjević, que o levou para a Juvecaserta.
Oscar superou todas as expectativas: com seus arremessos precisos, tornou-se o maior pontuador da história da liga italiana, com 13.957 pontos. Posteriormente, foi ultrapassado por Antonello Riva, mas segue como o maior cestinha entre os estrangeiros.
Na região da Campânia, esteve perto de grandes conquistas, alcançando duas finais do Campeonato Italiano, uma da Copa Korac e uma histórica decisão da Recopa Europeia contra o Real Madrid, então liderado por Drazen Petrovic.
Os torcedores de Caserta celebraram a conquista da Copa da Itália e, no ano seguinte à saída de Oscar, o único título da liga italiana da equipe campana. Embora não tenha participado dessa conquista, sua liderança nos anos anteriores foi fundamental para transformar o clube em uma potência da época. Sua lendária camisa número 18 acabou aposentada.
Com a seleção brasileira, Oscar conquistou três Campeonatos Sul-Americanos, um Jogos Pan-Americanos e uma medalha de bronze no Campeonato Mundial de 1978, além de disputar cinco Jogos Olímpicos.
Nas Olimpíadas, sua "Mão Santa" permanece insuperável: ninguém marcou mais pontos na história do torneio, nem no total (1.093) nem em uma única partida. Apenas Luka Doncic chegou perto recentemente, mas os 55 pontos de Oscar contra a Espanha, em Seul, seguem como recorde, ao menos até Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
"Oscar não era apenas um campeão extraordinário: ele era pura emoção, paixão avassaladora e talento infinito. Com seus arremessos impossíveis, seu carisma e seu amor incondicional pelo esporte, ele inspirou gerações de torcedores, deixando uma marca indelével em Caserta e em todos os lugares por onde passou. Aqueles que tiveram a sorte de vê-lo vestir nossas cores sabem que ele não era apenas um atleta, mas um símbolo, uma inspiração, um pedaço do coração bianconero que viverá para sempre em nossas memórias", escreveu a Juvecaserta.