BASQUETE

Por que Oscar não jogou na NBA? Entenda a escolha que o consagrou na Itália

Ídolo do basquete brasileiro recusou convite da NBA para priorizar a seleção e fez história na liga italiana

Publicado em 17/04/2026 às 18:26
Oscar Schmidt Reprodução / Instagram

Oscar Schmidt foi um dos maiores nomes do basquete brasileiro e mundial. Falecido nesta sexta-feira, aos 68 anos, Oscar alcançou o posto de maior pontuador da modalidade, disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos e segue, até hoje, como o atleta que mais marcou pontos pela seleção brasileira.

Apesar do destaque internacional, o "Mão Santa" optou por não jogar na NBA, a principal liga de basquete dos Estados Unidos. O motivo não foi a falta de oportunidade: em 1984, Oscar foi convidado pelo New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets), mas recusou a proposta. Naquele período, atletas que atuavam na NBA não podiam defender suas seleções nacionais.

Em entrevista ao Estadão em 2024, Oscar explicou sua decisão: "Para mim, a seleção era a coisa mais importante que havia na minha vida. Por isso que falei não para a NBA. (Quando ganhei o ouro no Pan de 1987, em Indianápolis) O que mais queria ver era os brasileiros comemorando. Minha família torceu muito por mim e nunca falou onde queria que eu jogasse", relatou.

O ex-jogador também avaliou, na mesma entrevista, que a ida de atletas à liga americana prejudicava a seleção brasileira. "(A seleção perdeu prestígio) porque não tem dinheiro, os jogadores recusam a seleção para atuar na NBA. A seleção não é para qualquer um. O atleta tem de querer jogar pelo Brasil", afirmou.

Quando recebeu o convite da NBA, Oscar já atuava no basquete italiano. Ele havia chamado atenção do cenário internacional ainda antes, quando, pelo Sírio, de São Paulo, conquistou o Mundial Interclubes de 1979.

A conquista, somada ao desempenho nos Jogos de Moscou-1980, evidenciou seu talento. Em 1982, após passagem pelo América do Rio, Oscar foi procurado por Bogdan Tanjevic, ex-técnico do time derrotado pelo Sírio em 1979, e transferiu-se para o Juvecaserta, da Itália.

Foram 11 temporadas no basquete italiano. Após oito anos no Juvecaserta, Oscar defendeu o Pavia por três temporadas. Só na Itália, anotou 13.957 pontos, tornando-se o primeiro atleta a ultrapassar a marca de 10 mil pontos no Campeonato Italiano. Em uma única partida, chegou a marcar 66 pontos, recorde da época.

No total, Oscar disputou cinco Jogos Olímpicos consecutivos (Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996) e foi, por muito tempo, o maior pontuador da história do basquete. Segue sendo o maior marcador da seleção brasileira, com 7.693 pontos.

Medalhista de ouro no Pan-Americano de Indianápolis-1987, Oscar conquistou títulos sul-americanos com a seleção brasileira masculina de basquete (1977, 1983 e 1985) e três medalhas de bronze em competições importantes: Mundial das Filipinas-1978, Pan de San Juan-1979 e Copa América do México-1989.

Em 2013, Oscar foi eternizado no Hall da Fama do basquete, em Springfield, Massachusetts, nos Estados Unidos, mesmo sem jamais ter atuado na NBA.