INTOLERÂNCIA NO FUTEBOL

Primeiro-ministro da Espanha condena racismo contra egípcios e Yamal critica "minoria ignorante"

Pedro Sánchez e o jovem atacante Lamine Yamal repudiam cânticos antimuçulmanos em amistoso entre Espanha e Egito, destacando a importância do respeito no esporte.

Publicado em 01/04/2026 às 16:37

O amistoso entre Espanha e Egito, realizado no RCDE Stadium, em Barcelona, terminou sem gols, mas foi marcado negativamente por atos de intolerância nas arquibancadas. Durante o aquecimento e em diversos momentos da partida, torcedores entoaram cânticos de cunho antimuçulmano, gerando repercussão internacional e indignação.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, manifestou seu apoio aos atletas egípcios e repudiou o episódio que classificou como "inaceitável". "O incidente de ontem (quarta-feira) em Cornellà é inaceitável e não deve se repetir. Não podemos permitir que uma minoria incivilizada manche a imagem da Espanha, um país pluralista e tolerante. A seleção nacional de futebol e seus torcedores não são exceção", afirmou Sánchez.

Ele também destacou a importância do respeito: "Todo o meu apoio aos atletas que sofreram com isso e meus aplausos àqueles que, com respeito, nos ajudam a ser um país melhor", completou o primeiro-ministro em suas redes sociais.

Entre os cânticos ouvidos, estava a provocação "quem não pular é muçulmano", direcionada aos adversários egípcios. O episódio reacendeu discussões sobre o racismo no futebol espanhol, que já teve outros casos recentes, como os ataques a Vini Jr., do Real Madrid.

O jovem atacante Lamine Yamal, do Barcelona, também se manifestou. Visivelmente incomodado após o primeiro tempo, Yamal foi direto ao vestiário e, posteriormente, usou suas redes sociais para desabafar. "Sou muçulmano, Alhamdulillah. Ontem (quarta-feira), no estádio, ouviu-se o cântico 'quem não pula é muçulmano'. Sei que era dirigido ao time rival e não tinha nada a ver comigo, mas, como muçulmano, isso não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável", afirmou.

Yamal criticou a "minoria ignorante" responsável pelos insultos. "Entendo que nem todos os torcedores são assim, mas para aqueles que cantam essas coisas: usar uma religião como piada em um estádio faz vocês parecerem ignorantes e racistas", destacou o atacante.

Ele concluiu com uma mensagem de união: "O futebol é para se divertir e torcer, não para desrespeitar as pessoas por quem elas são ou no que acreditam. Dito isso, agradeço a todos que vieram nos apoiar e nos vemos na Copa do Mundo."