FUTEBOL

Fracasso da seleção italiana repercute na política: 'Abismo'

Ministro do Esporte pediu 'refundação' do futebol nacional

Por Redação ANSA Publicado em 01/04/2026 às 16:11
Expulsão de Bastoni foi crucial para eliminação da Itália © ANSA/AFP

vexame da Itália nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026 repercutiu na política, e o ministro do Esporte do país, Andrea Abodi, foi convidado a participar de uma audiência na Câmara dos Deputados para falar sobre o "fracasso do futebol" nacional.

A Azzurra foi derrotada nos pênaltis pela Bósnia e Herzegovina na final da repescagem europeia e não disputará a Copa pela terceira edição consecutiva. Com isso, uma geração inteira de crianças e adolescentes seguirá sem ter visto uma única partida da seleção italiana em Mundiais.

Na abertura da sessão desta quarta-feira (1º) na Câmara, o deputado Salvatore Caiata, do partido governista Irmãos da Itália (FdI), pediu um pronunciamento de Abodi no Parlamento sobre o "fracasso do futebol italiano".

Caiata declarou que o principal culpado é o presidente da Federação Italiana de Futebol (Figc), Gabriele Gravina, que está no cargo há quase oito anos e indicou, após a derrota para a Bósnia, que não vai renunciar.

"Ele roubou um sonho dos nossos jovens. As novas gerações nunca viram uma partida da Copa do Mundo, as 'noites mágicas'", disse. Já o deputado de oposição Mauro Berruto, do Partido Democrático (PD), declarou que é preciso investigar "as razões que levaram o futebol italiano ao abismo".

Abodi, por sua vez, divulgou um comunicado em que defende a "refundação do futebol" nacional, movimento que, segundo ele, deve começar pela "renovação da liderança da Figc".

Gravina deu uma coletiva de imprensa depois do jogo contra a Bósnia e defendeu a manutenção de Gennaro Gattuso como treinador da Azzurra, chamou os jogadores italianos de "heroicos", disse que sua eventual saída do comando da federação depende do conselho da entidade e alegou que os problemas do futebol no país vão muito além da Figc.

Para piorar, ao ser instado a comparar o fracasso da seleção com a era dourada vivida pelo esporte italiano, o cartola alegou que o futebol é "profissional" e que as outras modalidades são "amadoras".

"Considero objetivamente incorreto tentar negar a própria responsabilidade pela terceira ausência consecutiva da seleção na Copa do Mundo, acusando as instituições de uma suposta falha no cumprimento das regras e menosprezando a importância e o nível profissional de outros esportes", salientou o ministro.

A Itália não disputa a Copa desde 2014, no Brasil, quando caiu na fase de grupos, e não joga um mata-mata de Mundial desde a campanha do tetracampeonato, em 2006, na Alemanha.