Observação inédita mostra imagem de buraco negro emitindo ventos capazes de 'reconfigurar' galáxia
Missão XRISM registra, pela primeira vez, o momento em que ventos ultrarrápidos de um buraco negro começam a influenciar a evolução de uma galáxia.
O despertar de um buraco negro supermassivo na galáxia IRAS 05189-2524, registrado pela missão XRISM, revelou ventos ultrarrápidos capazes de remodelar toda a galáxia, oferecendo uma primeira visão direta do momento em que esses fluxos influenciam a evolução galáctica.
A missão XRISM, uma parceria entre NASA e JAXA, registrou o despertar de um buraco negro supermassivo na galáxia starburst IRAS 05189-2524. É a primeira vez que os cientistas observam exatamente o instante em que os ventos de um buraco negro começam a impactar toda uma galáxia, abrindo uma nova janela para entender como esses objetos extremos moldam o ambiente ao redor.
Os dados apontam para fluxos de energia em forma de projetos, projetados a até 14% da velocidade da luz, transportando energia cem vezes maior que a dos ventos moleculares mais lentos presentes na galáxia. Essa intensidade sugere que o buraco negro está entrando em uma fase capaz de alterar profundamente a evolução da galáxia hospedeira.
IRAS 05189-2524 está nos projetos finais de uma fusão galáctica, processo que libera grandes quantidades de gás e poeira e desencadeia uma explosão de formação estelar. Parte desse material, no entanto, migra para o centro e alimenta o buraco negro, formando um disco de acreção brilhante típico de um núcleo galáctico ativo, visível da Terra como um quasar.
Nem toda a matéria do disco é engolida: parte é expelida como jatos e ventos intensos, que podem varrer gás e poeira para fora da galáxia. Esse mecanismo, chamado feedback, pode interromper a formação de estrelas e levar a galáxia a uma fase mais calma e elíptica, com o buraco negro eventualmente adornado.
O caso de IRAS 05189-2524 é especialmente importante porque reúne, simultaneamente, fusão galáctica, explosão estelar e um buraco negro supermassivo ativo. Isso permite observar, em tempo real, como o feedback começa a atuar e como pode transformar a galáxia ao longo do tempo.
Segundo o portal Space, os cientistas também constataram que o buraco negro está se alimentando de forma extrema, quase no limite teórico para objetos desse tipo. A expectativa é que seus ventos se intensifiquem ainda mais, a ponto de suprimir a formação estelar e alterar o destino da galáxia.
A equipe pretende continuar monitorando o objeto com o XRISM e, futuramente, com o observatório de raios X NewAthena, que deverá oferecer detalhes ainda mais precisos da interação entre buracos negros supermassivos e suas galáxias.
Por Sputnik Brasil