São Paulo retira itens de antiga fornecedora do MorumBis e inicia parceria com empresa do Allianz Parque
Após fim de disputa judicial, clube remove equipamentos da FGoal e prepara estreia da GSH já no clássico contra o Palmeiras
O São Paulo inicia um novo capítulo em sua relação com a FGoal, antiga responsável pela alimentação e bebidas no MorumBis durante os jogos. Após a extinção de uma ação judicial, o clube precisou remover todos os itens da empresa do estádio. Simultaneamente, a GSH, que já atua no Allianz Parque e na Arena MRV, começa sua parceria com o São Paulo.
O aviso de rescisão enviado pelo clube concedia à FGoal 30 dias para retirar todos os equipamentos do MorumBis. Como o prazo expirou em 6 de março sem cumprimento, o São Paulo, acompanhado de um escrevente de cartório, realizou um inventário dos materiais da empresa.
Entre os itens retirados estão geladeiras, estufas, panelas e fogões. A operação começou nesta segunda-feira, e todo o material será levado para um galpão de armazenamento, com os custos repassados à FGoal.
A liberação dos espaços ocorre para viabilizar a estreia da nova parceira já neste sábado, quando o São Paulo enfrenta o Palmeiras pelo Brasileirão. Após análise de propostas, a GSH foi escolhida para operar no estádio, empresa que já atua em grandes arenas como o Allianz Parque e a Arena MRV.
A expectativa é de que o clube obtenha rendimentos superiores aos que tinha com a FGoal. Pesou na decisão a experiência da GSH em outras grandes operações. Além de fornecer alimentos e bebidas em dias de jogos no Allianz Parque, a empresa também administra os restaurantes do estádio.
Inicialmente, a GSH não terá espaços equivalentes aos do Allianz no MorumBis. Uma das mudanças previstas é a padronização dos alimentos e bebidas nos camarotes, embora alguns espaços possam escolher fornecedores próprios.
A atuação da GSH junto ao São Paulo se restringe aos jogos do clube. Produtoras de shows que alugam o MorumBis poderão optar por outras empresas para operar nos eventos. A FGoal, por exemplo, também prestava serviços à Live Nation, responsável por shows no estádio.
Não há impedimento para que a antiga fornecedora atue em shows, mas a tendência é que a empresa que já opera nos demais eventos seja mantida.
Entenda a disputa entre São Paulo e FGoal
A FGoal foi contratada para operar a venda de alimentos e bebidas nos jogos do MorumBis em 2023 e passou a atuar também no clube social em 2024. Em fevereiro, o São Paulo solicitou rescisão por justa causa após identificar descontos nos repasses feitos pela FGoal ao clube.
A FGoal alegou que a diretoria estava ciente dos descontos, que seriam referentes a serviços de TI e fiscais para monitorar o uso correto das maquininhas no clube social.
Antes mesmo da rescisão, a FGoal já estava sob investigação da força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apura possíveis desvios na conta vinculada às maquininhas de cartão.
A empresa, fundada em 2019, abriu outro CNPJ ao começar a atender o São Paulo em 2023, com endereço no MorumBis, justificado por questões logísticas para recebimento de mercadorias.
As mudanças entre os dois CNPJs envolvem capital e atividades: o primeiro, de marketing, tem capital de R$ 5 mil; o segundo, voltado à operação de alimentos e bebidas, de R$ 50 mil.
A ação judicial movida pela FGoal contra o São Paulo buscava evitar a rescisão, mas teve liminar negada pela Justiça. A empresa cobrava R$ 5,18 milhões em lucros projetados até 2029, além de danos morais e materiais.
Antes de pedir a extinção da ação, a FGoal trocou de representante legal e, segundo apuração do Estadão, deve adotar uma nova estratégia jurídica.