Aston Martin prevê início difícil na temporada da F-1 após problemas com motor Honda em testes
Equipe enfrenta desafios com novo motor Honda e relata instabilidade e falta de tempo para ajustes antes do GP da Austrália
A temporada 2024 da Fórmula 1 começa neste fim de semana com o GP da Austrália, no Circuito de Albert Park, em Melbourne. A Aston Martin chega à etapa sob expectativa de grandes desafios, após enfrentar dificuldades nos testes pré-temporados com o novo motor fornecido pela Honda.
O AMR26, carro remodelado e projetado sob a supervisão do renomado Adrian Newey, teve seu desenvolvimento atrasado e não participou dos testes em Barcelona. Durante as duas semanas de testes no Bahrein, os pilotos Lance Stroll e Fernando Alonso, principal nome da equipe, conseguiram rodar um pouco devido a uma série de problemas na unidade de potência Honda.
“É extremamente difícil (a experiência com o novo carro)”, admitiu o espanhol Pedro de la Rosa, ex-piloto e atual embaixador da Aston Martin, em entrevista ao site Formula1.com. Além da baixa quilometragem na segunda semana, o carro mostra instabilidade: Alonso chegou a abandonar a pista no Bahrein durante simulação de corrida, parando bruscamente após poucas voltas. Stroll também envolveu dificuldades, completando apenas seis voltas.
A equipe lamentou os contratempos, enquanto a Honda iniciava uma série de investigações em sua fábrica, em Sakura, no Japão, para apurar a escassez de peças da unidade de potência.
"Há tantas coisas na lista para serem testados que não tivemos tempo. Fisicamente, nenhum tempo", reclamou De la Rosa, citando as apenas 128 voltas registradas nos dois dias de testes no Bahrein.
"Identificamos claramente quais são as maiores prioridades, mas, ao nos aprofundarmos, encontramos uma longa lista de pequenas questões. Não se trata de apenas uma área, são várias", identificou, demonstrando frustração.
De la Rosa prevê um início complicado para o Aston Martin na Austrália. "O que torna tudo mais difícil para nós é a necessidade de integrar todos esses novos elementos. Temos novas regulamentações, projetamos nossa própria caixa de câmbio, a suspensão traseira, contamos com a Honda e estamos desenvolvendo novos investimentos e combustíveis sustentáveis em parceria com Valvoline e Aramco", explicou.
"Antes de atualização, precisamos entender o pacote: onde o carro está, quais são os limites e, então, desenvolver de acordo com o regulamento. No momento, estamos na fase de compreensão do que temos", acrescentou.
Apesar das dificuldades, De la Rosa demonstrou confiança na parceria com a Honda e no trabalho de Adrian Newey. "É muito importante ter a Honda conosco. Quando decidimos sair da F-1 e depois voltamos para trás, isso atrasou um pouco o início do trabalho nas regulamentações de 2026. Não é o ideal, mas só podemos olhar para frente", afirmou.
O embaixador encerrou com uma mensagem otimista: “Adrian começou em 2 de março, já em meio à temporada de 2025, o que também não era o ideal. Mas chega um ponto em que é preciso se comprometer e seguir em frente. Ambos começamos um tarde, mas acredito que teremos um grande futuro juntos.”