FUTEBOL INTERNACIONAL

Infantino propõe expulsão de jogadores que cobrem a boca em discussões

Presidente da Fifa defende punição rigorosa para atletas que tentarem ocultar falas durante confrontos, em meio a casos de racismo no futebol.

Publicado em 01/03/2026 às 19:45
Infantino propõe expulsão de jogadores que cobrem a boca em discussões Reprodução / Instagram

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu a expulsão de jogadores que taparem a boca durante discussões em campo. A proposta surge após recentes denúncias de racismo no futebol, levantando suspeitas de que o gesto possa servir para ocultar ofensas ou comentários inadequados.

“Se um jogador tapa a boca e diz algo racista, ele tem que ser expulso, obviamente”, afirmou Infantino em entrevista ao canal britânico Sky News. O dirigente citou o episódio entre Vini Jr., do Real Madrid, e Gianluca Prestianni, do Benfica, ocorrido na Champions League em 17 de fevereiro.

Na ocasião, Prestianni cobriu a boca com a camisa enquanto supostamente insultava o brasileiro, alvo frequente de racismo no esporte. “Deve haver uma presunção de que ele disse algo que não deveria, caso contrário não teria coberto a boca”, enfatizou Infantino.

O Benfica, inicialmente, classificou as acusações como uma campanha de “difamação”. Porém, o técnico José Mourinho declarou posteriormente que não trabalharia mais com Prestianni caso o atleta fosse considerado culpado de racismo. A Uefa suspendeu o jogador para o jogo de volta contra o Real Madrid.

“Temos que acabar com o racismo”, reforçou o presidente da Fifa. “Não podemos nos contentar em dizer que é um problema da sociedade e, portanto, não podemos fazer nada a respeito.”

Infantino sugeriu que a proposta de punição para atletas que cubram a boca em confrontos verbais seja analisada até abril, com o objetivo de implementá-la já na Copa do Mundo deste ano. “Se você não tem nada a esconder, não precisa tapar a boca para falar. É simples”, pontuou.

O dirigente também defendeu que o sistema disciplinar una punição, educação e conscientização. Para ele, atletas que reconheçam erros e apresentem pedidos públicos de desculpa poderiam receber penas alternativas, contribuindo para uma mudança cultural. “Talvez devêssemos não apenas punir, mas permitir uma mudança de cultura. Pessoas podem agir de forma errada em momentos de raiva e depois reconhecer o erro”, concluiu Infantino.