NEGÓCIOS DO FUTEBOL

Por que a venda de André ao Milan por R$ 103 milhões não é tão vantajosa ao Corinthians

Negociação avançada pode render menos do que o esperado ao clube; entenda os detalhes do acordo e as críticas internas.

Publicado em 01/03/2026 às 09:31
André Reprodução / internet

A proposta do Milan pelo volante André chamou atenção pelo valor: até 17 milhões de euros (cerca de R$ 103 milhões) por 70% dos direitos econômicos do jogador formado no Parque São Jorge. Internamente, o Corinthians considera a negociação avançada, mas, na prática, o valor líquido que entraria nos cofres do clube seria bem menor, o que explica a divisão de opiniões sobre o negócio.

Dos 70% negociados, o Corinthians não detém a totalidade. A oferta italiana prevê 15 milhões de euros fixos e mais 2 milhões condicionados a metas: André precisaria atuar em 20 jogos pelo Timão, com pelo menos 45 minutos em cada, antes da paralisação para a Copa do Mundo. Ou seja, nem toda a quantia é garantida.

Considerando os percentuais pertencentes a terceiros, descontos obrigatórios e a parcela variável, o valor líquido tende a ser significativamente reduzido. Mesmo com a previsão de 20% de mais-valia em uma venda futura, o Corinthians dependeria de uma revenda bem-sucedida do Milan para aumentar o retorno financeiro.

Outro ponto relevante: André abriu mão da parte a que teria direito na negociação, mas manteve os 30% dos direitos econômicos que possui. A informação foi publicada pela ESPN e confirmada pelo Estadão.

O contexto pesa na decisão. Aos 19 anos, titular com 23 partidas e quatro gols, André é considerado um ativo técnico e financeiro em valorização. Ao optar pela venda agora, o Corinthians antecipa receitas, mas sacrifica a possibilidade de ganhos maiores no futuro, seja pelo desempenho esportivo do atleta, seja por uma transferência futura com cifras mais altas.

Em um cenário de pressão financeira e necessidade de equilíbrio das contas, a proposta atende à urgência do clube. No entanto, ao analisar a composição do negócio e o valor efetivamente destinado ao Corinthians, a venda deixa de ser vista como um grande negócio e passa a ser, sobretudo, uma operação motivada pela necessidade.

Se o presidente Osmar Stabile aceitar a proposta, André assinará contrato de cinco anos com o Milan, formalizando a transferência e liberando o pagamento ao Corinthians.

Dorival critica negociação

Após a eliminação na semifinal do Paulistão para o Novorizontino, o técnico Dorival Júnior criticou a postura do clube no mercado de transferências.

"O que eu penso: ele precisa ficar aqui para amadurecer e crescer, dar um retorno técnico ao Corinthians. Depois do retorno técnico, aí sim proporcionar um retorno financeiro. Mas, antes, ele tem, como todo atleta, que passar por esse processo de amadurecimento, para não bater na Europa e voltar", afirmou o treinador.

"O Corinthians vai vender a hora que quiser vender, e não por qualquer proposta que apareça. É a minha opinião apenas. Agora, cada um faz o que acha conveniente", completou Dorival.

Logo após a entrevista, o executivo de futebol Marcelo Paz confirmou a negociação. "Estou aqui para ser transparente e passar a vocês, para que o torcedor entenda quais são os números dessa possível operação. Seja qual for a decisão do presidente, estarei do lado dele. Espero que as pessoas entendam, porque sempre vamos tomar a melhor decisão para o Corinthians", declarou o dirigente, ressaltando também a necessidade de vender jogadores para manter as contas em dia e evitar fechar o ano no vermelho.