Intermediária no caso dos camarotes no MorumBis fica em silêncio e desmaia ao depor na polícia
Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como a intermediária de Mara Casares no suposto esquema da venda irregular de camarotes do MorumBis, estádio do São Paulo, compareceu nesta terça-feira, 24, ao 4º Distrito Policial, na Consolação, para participar de oitiva da Polícia Civil. Ela citou problemas de saúde e ficou em silêncio durante o período em que permaneceu no local. Ao ir embora, ela chegou sofreu um breve desmaio e precisou ser amparada.
A oitiva estava marcada para acontecer às 10h. Rita de Cássia chegou à delegacia por volta das 10h40, aproximadamente 20 minutos depois de seu advogado, que conversou com o delegado Tiago Fernando Correia e os promotores José Reinaldo Guimarães Carneiro e Tomás Busnardo Ramadan, membros de uma força-tarefa criada pelo Ministério Público de SP, antes de levar a sua cliente, vestida de calça e blusas brancas, para a sala de depoimento.
Rita de Cássia não apresentou qualquer laudo médico que comprovasse a sua condição médica. A defesa da investigada afirmou aos membros da força-tarefa que irá incluir os documentos nos autos do processo. Eles deixaram o local rapidamente, sem falar com a imprensa.
A polícia não irá realizar novas oitivas com Rita de Cássia e entende ter material suficiente para dar continuidade à investigação independentemente do silêncio de figuras chave no inquérito. As autoridades já haviam tentado colher o depoimento da investigada em outra ocasião, mas não conseguiu realizar a oitiva por questões de agenda.
A polícia investiga a possibilidade de Rita Adriana de Cássia ter cometido os crimes de corrupção privada do esporte, associação criminosa e possíveis delitos patrimoniais. As autoridades acreditam que a investigada faz parte de um esquema estruturado de comercialização ilegal de vendas de ingressos para shows internacionais no MorumBis, cuja comercialização irregular ocorreu pelo menos desde 2023.
Os próximos a serem interrogados pelas autoridades serão Mara Casares, ex-mulher de Júlio Casares que renunciou à presidência em janeiro e ex-diretora cultural de eventos, e Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto das categorias de base do São Paulo.
Ainda não há data marcada para a realização das novas oitivas e novas testemunhas podem ser convocadas. Paralelamente, a força tarefa vai continuar analisando de maneira contínua os documentos do inquérito. Uma operação realizada pela Polícia Civil, no fim de janeiro , em endereços ligados aos investigados apreendeu R$ 28 mil, um CPU e vasta documentação.
O caso é investigado pelo Departamento de Polícia de Proteção a Cidadania (DPPC) em parceria com o MP-SP. Outros dois casos que envolvem um suposto esquema de desvio de verba por meio de saques na boca do caixa e cobranças supostamente irregulares a concessionários do clube também são alvo de análise da força-tarefa.
Relembre o caso do camarote do São Paulo
O Estádio do MorumBis conta com diversos camarotes que são usados em jogos e shows. Um deles é o camarote 3A, espaço que não é comercializado e que fica em frente ao gabinete do presidente. O local é conhecido como "Sala Presidencial".
Mara Casares e Douglas Schwartzmann estariam envolvidos em um esquema de venda de ingressos do camarote 3A, uma ação não autorizada e que seria feita de forma "clandestina", como os próprios diretores licenciados afirmam em áudio.
Nesta conversa, Mara e Schwartzmann falam com Rita de Cassia Adriana Padro, conhecida como Adriana, da The Guardians Entretenimento Ltda, que seria intermediária na venda e repasse das entradas desse camarote para terceiros.
Adriana ingressou com um processo contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda, acusando-a de ter tirado de suas mãos 60 ingressos para um show da colombiana Shakira.
Esses 60 tickets seriam comercializados por R$ 132 mil. No entanto, Adriana alega que recebeu apenas R$ 100 mil. Carolina diz que pagou o combinado, está sendo vítima de calúnia e teve prejuízos. O processo foi retirado posteriormente.
A ação tornou o caso público. Dada a situação, Mara e Schwartzmann pressionaram Adriana a retirar o processo para que a ação ilícita não se tornasse de conhecimento geral.
A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar o caso. Este é uma das três investigações que envolvem o clube, conduzidas por uma força-tarefa junto do Ministério Público.