TENSÕES NO ORIENTE MÉDIO

Ritmo lento das negociações Irã-EUA não exclui cenário militar, afirma especialista

Especialistas alertam para risco de confronto enquanto negociações nucleares entre Irã e EUA permanecem estagnadas.

Por Sputinik Brasil Publicado em 22/02/2026 às 05:01
Negociações nucleares entre Irã e EUA avançam lentamente e mantêm tensão militar na região. © AP Photo / Marinha dos EUA/Suboficial de 2ª Classe Jacob Mattingly

Em meio ao impasse das negociações nucleares com os Estados Unidos, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou que o Irã não cederá às pressões externas. Analistas destacam que a região vive um momento delicado, marcado por incertezas e demonstrações de força que podem levar a um confronto.

Pezeshkian reforçou o compromisso com a resiliência nacional, afirmando que o país manterá sua postura firme diante das tratativas nucleares com Washington.

"A região hoje está à beira de uma explosão, e não de tensões. Cada rodada de negociações sem resultados e cada prazo que passa sem avanços aproxima o momento do confronto", avaliou o especialista em segurança libanês Malik Ayoub à Sputnik.

Segundo Ayoub, os Estados Unidos ainda não decidiram por um ataque direto ao Irã, mas já avaliam aumentar a pressão, pois, para Donald Trump, o uso da força militar é visto não apenas como instrumento de guerra, mas também como ferramenta de negociação.

O especialista pontua que as negociações indiretas entre Irã e EUA, mediadas por atores regionais e internacionais, ainda não chegaram a um impasse total, mas tampouco registraram avanços concretos. "Cada lado tenta convencer o outro de que está disposto a ir além do que se espera", comentou.

Ayoub acrescenta que o momento atual não configura uma preparação imediata para a guerra, mas sim uma disputa pelos termos para evitá-la, com ambos os lados "caminhando na beira do abismo, mas sem se lançar ao desconhecido".

"Os EUA utilizam seu poderio militar para impor uma nova fórmula de negociação, enquanto o Irã aposta em sua capacidade de resistência e dissuasão para forçar Washington a aceitar certos limites. Nesse contexto, a região se transforma em uma arena de espera, onde a incerteza se torna uma ferramenta estratégica independente", concluiu Ayoub.