Telescópio James Webb mapeia auroras de Urano em 3D pela primeira vez
Observações inéditas revelam detalhes sobre campo magnético e atmosfera superior do planeta
Pela primeira vez, astrônomos mapearam em três dimensões a atmosfera superior de Urano, utilizando dados do telescópio espacial James Webb (JWST). A equipe internacional é liderada pela pós-graduanda Paola Tiranti, da Universidade de Northumbria.
O estudo revelou como o campo magnético peculiar do planeta gera radiações polares complexas e influencia a distribuição de energia em Urano.
Durante 15 horas de observação com o espectrógrafo NIRSpec, os cientistas detectaram um brilho fraco de moléculas a até 5.000 km acima das nuvens do planeta. Os dados mostram que as temperaturas atingem o pico entre 3.000 e 4.000 km, enquanto as maiores densidades de íons aparecem em torno de 1.000 km, apontando variações longitudinais ligadas à geometria complexa do campo magnético.
"Esta é a primeira vez que conseguimos ver a atmosfera superior de Urano de forma tridimensional", afirmou Paola Tiranti. "Com a sensibilidade do Webb, podemos rastrear como a energia se move para cima através da atmosfera do planeta e até mesmo ver a influência de seu campo magnético desnivelado," destacou o site da ESA.
Os dados do JWST também confirmam que a atmosfera superior de Urano continua resfriando, uma tendência que se mantém desde o início dos anos 1990. A equipe registrou uma temperatura média de cerca de 426 kelvins (aproximadamente 150°C), inferior aos valores medidos anteriormente por telescópios terrestres e sondas espaciais.
Duas listras aurorais brilhantes foram identificadas próximas aos polos magnéticos de Urano, além de uma redução expressiva na emissão e densidade de íons em uma região entre as listras — característica provavelmente associada a transições nas linhas do campo magnético.
O campo magnético de Urano é singular: inclinado 60° e deslocado em relação ao centro do planeta, faz com que as radiações percorram trajetórias complexas pela superfície. Os novos dados permitiram rastrear como as linhas magnéticas direcionam partículas carregadas e estruturam a atmosfera do planeta.