MACEIÓ

Com otimismo moderado, confiança do empresário do comércio melhora 0,7%

Em fevereiro, indicador marca 107,6 pontos e demonstra cautela a curto prazo, especialmente em relação à economia

Por Assessoria Publicado em 18/03/2026 às 16:29
Maceió Jonathan Lins/ Secom Maceió

Com os consumidores ainda no clima de ajustes de contas, reduzindo o consumo e utilizando mais o crédito para a manutenção das despesas básica, conforme apontado pelas pesquisas anteriormente divulgadas pelo Instituto Fecomércio AL, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de Maceió acabou por refletir esse movimento e manteve-se na margem com uma variação de 0,7%, marcando 107,6 pontos. A pesquisa foi feita em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo o Instituto, esse quadro de estabilização, com leve recuperação, indica que o empresário percebe o ambiente de negócios com maior previsibilidade. Porém, isto não significa que essa estabilidade seja homogênea, pois ao se analisar o desempenho do indicar considerando o porte das empresas, naquelas com até 50 empregados o indicador ficou em 107,8 pontos – próximo ao índice médio geral-, enquanto naquelas com mais de 50 funcionários marcou 100,8 pontos. “As empresas maiores demonstram maior oscilação em alguns componentes específicos, sobretudo nas expectativas relacionadas à economia. Isso revela que, embora o ambiente esteja relativamente estável, o empresário de maior porte mostra-se mais sensível às perspectivas macroeconômicas, especialmente no que diz respeito a crédito e consumo agregado”, explica o assessor econômico do Instituto Fecomércio, Lucas Sorgato.

Variações mensais

Na decomposição do indicador, o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) segue abaixo de 100 pontos, mas teve melhora mensal de 4,1% e crescimento anual de 4,07%, sinalizando que o ambiente de negócios está mais positivo do que no mesmo período do ano anterior. O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) teve crescimento mensal e marcou 133 pontos. A medição da expectativa considera três subíndices: o de expectativa da economia (113,4 pontos), o de expectativa do setor (136,3 pontos) e o de expectativa da empresa (151,3 pontos). “A expectativa da empresa permanece elevada, reforçando que o empresário confia na capacidade de seu negócio de gerar resultados ao longo do ano. Fevereiro, portanto, não apresenta ruptura nas expectativas, mas sim acomodação em patamar elevado”, analisa o economista.

Já em relação ao Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC), que ficou em 104,1, a variação mensal recuou -2,1% e, a anual, ficou na margem com elevação de 0,82%. É um subindicador interessante do Icec, já que traz em sua composição a mensuração das expectativas para contratação de funcionários (110,6 pontos, caindo -2,6% em relação a janeiro), o nível de investimento das empresas (104,5 ponto, com queda mensal de -3,4%) e a situação atual dos estoques (97,3 pontos, mantendo-se estável ao variar -0,1% no mês).

Para o Instituto, a retração mensal na intenção de investimento é coerente com o comportamento esperado para o mês de fevereiro, pois é um período no qual o comércio já encerrou o ciclo de contratações temporárias do fim de ano e aguarda maior consolidação do ritmo das vendas antes de expandir equipe ou ampliar investimentos.

No contexto geral, fevereiro apresenta um cenário mais equilibrado do que janeiro. “O empresário ainda demonstra cautela no curto prazo, especialmente em relação à economia, mas mantém confiança elevada em seu próprio negócio e no desempenho do setor ao longo do ano. Trata-se de um quadro de otimismo moderado e seletivo, coerente com um ambiente econômico que, embora ainda carregue desafios estruturais, mostra sinais de maior previsibilidade”, afirma Sorgato.