ECONOMIA

Do trabalho braçal ao e-commerce mulheres reescrevem trajetórias de renda

Histórias de mobilidade social ganham espaço no debate econômico ao mostrar como o empreendedorismo digital amplia o acesso à renda feminina no país

Por Carolina Lara Publicado em 24/02/2026 às 16:30
Do trabalho braçal ao e-commerce mulheres reescrevem trajetórias de renda

O empreendedorismo digital tem se consolidado como uma das principais portas de entrada para geração de renda entre mulheres brasileiras, especialmente em um cenário de informalidade elevada e dificuldades de acesso ao mercado formal de trabalho. 

Dados do IBGE mostram que as mulheres ainda recebem, em média, cerca de 20% menos que os homens no país, enquanto o Sebrae aponta que elas já representam mais de 34% dos empreendedores no Brasil, com crescimento acelerado nos negócios digitais e no comércio eletrônico.

É nesse contexto que a trajetória da Sabrina Nunes, empreendedora e especialista em vendas na internet e fundadora da Francisca Joias, exemplifica o potencial dessa transformação. Ex-cortadora de cana-de-açúcar, ela construiu carreira no universo dos negócios digitais e hoje atua na formação de mulheres que buscam transformar experiências de vulnerabilidade em fontes estruturadas de renda por meio de lojas online. “O digital não elimina desigualdades sozinho, mas cria atalhos que antes não existiam para quem não tinha capital, tempo ou rede de apoio”, afirma.

O avanço do comércio eletrônico ajuda a explicar esse movimento. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, o e-commerce brasileiro faturou mais de R$185 bilhões nos últimos três anos, com forte participação de micro e pequenos negócios. Levantamentos do setor indicam que mulheres estão mais presentes em segmentos como moda, beleza, bem-estar e produtos personalizados, áreas em que a entrada digital reduz custos fixos e barreiras logísticas.

Na avaliação de Sabrina, o diferencial está na adoção de modelos replicáveis, que dispensam estoques elevados e permitem escala gradual. “Quando a mulher entende que pode operar uma loja digital com processos simples e testados, ela deixa de depender apenas da força física ou de jornadas exaustivas. O negócio passa a trabalhar junto com ela”, diz.

Pesquisas do Sebrae também mostram que negócios liderados por mulheres tendem a reinvestir mais na família e na comunidade, ampliando o impacto social da renda gerada. Na visão de Sabrina, a visibilidade dessas trajetórias ajuda a romper estigmas históricos. “Durante muito tempo, o trabalho braçal foi visto como destino final para muitas mulheres. O digital mostrou que é possível mudar a rota sem romantizar a pobreza, mas com método, educação e acesso à informação”, afirma.

A consolidação do empreendedorismo digital feminino, segundo especialistas do setor, tende a se intensificar nos próximos anos, impulsionada pela expansão do acesso à internet, pela popularização de plataformas de venda e pela busca crescente por alternativas de renda mais flexíveis. Nesse cenário, histórias reais de transformação econômica deixam de ser exceção e passam a integrar o debate sobre desenvolvimento e inclusão produtiva no Brasil.