Investimentos brasileiros nos EUA crescem 52,3% e consolidam internacionalização de patrimônio
A internacionalização de patrimônio tem ganhado relevância entre famílias brasileiras de alta renda, em um contexto global de realocação de riqueza e aumento da mobilidade de capitais. Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em 2025, aponta que os investimentos brasileiros nos Estados Unidos alcançaram um estoque de US$ 22,1 bilhões em 2024, alta de 52,3% em relação a 2014. Entre 2020 e 2024, empresas brasileiras anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novas operações no território americano.
Diante disso, a internacionalização patrimonial tem sido tratada não apenas como busca por retornos no exterior, mas como instrumento de gestão de risco e organização de longo prazo. A concentração excessiva de ativos em um único país, moeda ou classe de investimento tende a aumentar vulnerabilidades diante de ciclos econômicos, mudanças regulatórias e instabilidades cambiais.
Para Daniel Mazza, sócio-fundador da MZM Wealth, consultoria financeira especializada em planejamento financeiro e investimentos, a decisão de investir no exterior está associada a uma visão institucional de longo prazo. “A internacionalização do patrimônio não é uma fuga do Brasil nem uma aposta oportunista. Trata-se de uma decisão racional de gestão de risco, voltada à redução de dependências excessivas e à construção de resiliência ao longo dos ciclos econômicos”, afirma.
A discussão também ganha relevância à medida que famílias estruturam estratégias patrimoniais mais integradas, envolvendo alocação global, governança e planejamento sucessório. A internacionalização, que antes era um movimento reativo a momentos de crise, passa a compor a alocação estratégica de portfólios diversificados, com foco em resiliência e continuidade patrimonial.
Segundo o executivo, o principal risco não está na diversificação internacional, mas na ausência de estratégia. “Investir fora exige método, clareza de objetivos e integração com o restante do patrimônio. Quando bem estruturada, a internacionalização fortalece a governança, apoia o planejamento sucessório e contribui para a preservação de valor no longo prazo”, conclui.