POLÍTICA

Diretora da Lucena Kids ataca petistas, compara eleitores a porcos e revolta pais em Maceió

Mensagens publicadas nas redes sociais dizem que ela não faz negócio com petistas e associam a direita a pessoas “do bem”; famílias temem que o preconceito alcance o ambiente escolar e anunciam que vão retirar os filhos

Por Redação Publicado em 29/10/2026 às 20:35
Publicação da diretora da escola em Maceió

A indignação de pais de alunos da Creche Escola Lucena Kids, em Maceió, expõe uma contradição grave: enquanto a instituição se prepara para tratar de bullying com as crianças, mensagens atribuídas à diretora Edivânia Lucena Lima atacam pessoas por sua posição política e as associam a criminosos e a porcos.

Entre as frases publicadas em stories de seu perfil pessoal estão: “Eu não compro e nem faço negócio com petista” e “Faço amizade com a galera do bem, que é de direita e não fecha com bandidos”. Outra mensagem compara pessoas de esquerda a porcos. As publicações, que circularam após a vitória de Lula, provocaram reação de famílias de alunos e repercutiram na imprensa local e nacional.

Não se trata de uma divergência política corriqueira quando esse tipo de discurso parte de alguém ligado à direção de uma escola infantil. A hostilidade dirigida a um grupo inteiro atinge também pais e responsáveis que confiam à instituição a formação e o cuidado de seus filhos. É compreensível que as famílias questionem se haverá acolhimento e respeito para todas as crianças, independentemente das convicções políticas de seus familiares.

Perfil da diretora da escola Lucena Kids

Pais ouvidos pelo UOL disseram que pretendem tirar os filhos da escola. O advogado Hugo Trauzola afirmou que manterá o filho na unidade até o fim do ano para evitar prejuízo pedagógico, mas cancelará a matrícula de 2027. A advogada Anne Caroline Fidelis também disse que pretende transferir a filha. Outro pai relatou que famílias de colegas ficaram indignadas.

A repercussão levou o Fórum Alagoano em Defesa da Educação Infantil (FADEDI) a divulgar uma carta de repúdio. A entidade criticou a desqualificação e a exclusão de pessoas por sua orientação política e cobrou respeito às diferenças. O fórum ressaltou que profissionais da educação têm responsabilidade especial na construção de ambientes baseados no diálogo e na convivência.

A preocupação das famílias merece ser levada a sério. O episódio não autoriza afirmar que alunos já tenham sofrido discriminação dentro da escola — esse fato não foi confirmado pelas reportagens consultadas. Mas as mensagens atribuídas à dirigente abalam a confiança das famílias e levantam uma pergunta inevitável: como uma escola pode ensinar respeito às diferenças se quem participa de sua direção publica mensagens que desumanizam e excluem pessoas por suas escolhas políticas?

Procurado pelo portal UOL de São Paulo, o setor jurídico da escola afirmou que Edivânia não teria declaração a prestar e que ela “atua apenas ajudando na direção”. O veículo informou que o marido dela, apontado na reportagem como sócio único, havia se comprometido a se manifestar em nome da instituição; até a publicação, o posicionamento ainda era aguardado. A Tribuna do Sertão deixa o espaço aberto para manifestação da escola e da diretora.

Escola/Creche Lucena Kids