Panelaço contra Flávio em Maceió termina com porteiro que participava do ato com moradores e vizinhos levado pela polícia; morador denunciou intimidação bolsonarista
Segundo testemunha, homem ameaçou manifestantes, tentou escalar parede do prédio e acionou a polícia; trabalhador que participava do protesto acabou conduzido
Um porteiro que participava de um panelaço contra Flávio Bolsonaro, em Maceió, foi conduzido pela polícia após uma confusão que, segundo o relato de um morador, começou com ameaças de um apoiador do candidato extremista. O episódio levanta questionamentos sobre a atuação policial: conforme a testemunha, um homem tentou intimidar os participantes do protesto, mas foi o trabalhador que acabou levado pelos agentes.
A denúncia foi apresentada por Felipe, identificado no Instagram pelo perfil @felipe.verlaine, que afirma ser um dos autores dos registros da ocorrência. Em depoimento gravado ao chegar em casa, à 1h46 da madrugada, ele contextualizou a abordagem e relatou ter registrado um boletim de ocorrência pelas ameaças que diz ter sofrido.
Segundo Felipe, a manifestação ocorreu durante a entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo. Ele conta que aderiu a uma convocação de André Janones e foi para a frente do prédio com uma panela. O porteiro também participou, assim como moradores do edifício e pessoas na rua.
Durante o protesto, Felipe passou a balançar uma bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi quando, de acordo com seu depoimento, um motorista começou a hostilizar os manifestantes.
O homem, descrito por Felipe como bolsonarista, teria abaixado os vidros do carro, feito gestos obscenos e dirigido xingamentos e ameaças às pessoas que participavam do panelaço.
Felipe afirma que continuou balançando a bandeira, enquanto o porteiro passou a bater na panela com mais intensidade para abafar as provocações. Na sequência, segundo ele, o motorista saiu do veículo e avançou na direção dos participantes.
“Veio em nossa direção chamando pra briga, dizendo que queria brigar, que queria resolver aquilo na porrada”, relatou.
Ainda conforme o depoimento, o homem tentou escalar a parede do prédio. Felipe diz que os manifestantes não aceitaram a provocação e que o próprio motorista acionou a polícia.
A chegada dos agentes, entretanto, terminou com a condução do porteiro. Segundo Felipe, os policiais chegaram a querer algemar o trabalhador. Diante da abordagem, ele foi ao apartamento e chamou outros moradores pelo interfone para que descessem e registrassem o que estava acontecendo.
A sequência narrada exige esclarecimentos. Se confirmada, representa uma grave inversão: quem participava de um protesto teria sofrido intimidação, enquanto a intervenção policial terminou atingindo o trabalhador que se juntou à manifestação.
Divergência eleitoral não autoriza ameaças nem tentativas de agressão. A atuação policial precisa proteger os envolvidos e apurar as condutas de cada pessoa, sem transformar a preferência política dos manifestantes em motivo de repressão.
Felipe afirma que existem diversos registros das ameaças e menciona a lavratura de um termo circunstanciado, sem esclarecer em nome de quem ou por qual enquadramento. Ele também diz ter registrado uma ocorrência contra o homem.
Não foi possível confirmar de forma independente o fundamento da condução, eventual uso de algemas ou a existência de prisão formal. Nas buscas realizadas para esta matéria, não foi localizada uma manifestação oficial da polícia sobre o episódio. O relato apresentado torna necessário esclarecer por que o porteiro foi levado e quais providências foram adotadas diante das ameaças denunciadas.
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