EXTREMISTA EXALTADO

Panelaço contra Flávio em Maceió termina com porteiro que participava do ato com moradores e vizinhos levado pela polícia; morador denunciou intimidação bolsonarista

Segundo testemunha, homem ameaçou manifestantes, tentou escalar parede do prédio e acionou a polícia; trabalhador que participava do protesto acabou conduzido

Por Redação Publicado em 17/10/2026 às 04:16
Trabalhador é conduzido pela polícia após panelaço contra Flávio Bolsonaro em Maceió Reprodução

Um porteiro que participava de um panelaço contra Flávio Bolsonaro, em Maceió, foi conduzido pela polícia após uma confusão que, segundo o relato de um morador, começou com ameaças de um apoiador do candidato extremista. O episódio levanta questionamentos sobre a atuação policial: conforme a testemunha, um homem tentou intimidar os participantes do protesto, mas foi o trabalhador que acabou levado pelos agentes.

A denúncia foi apresentada por Felipe, identificado no Instagram pelo perfil @felipe.verlaine, que afirma ser um dos autores dos registros da ocorrência. Em depoimento gravado ao chegar em casa, à 1h46 da madrugada, ele contextualizou a abordagem e relatou ter registrado um boletim de ocorrência pelas ameaças que diz ter sofrido.

Segundo Felipe, a manifestação ocorreu durante a entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo. Ele conta que aderiu a uma convocação de André Janones e foi para a frente do prédio com uma panela. O porteiro também participou, assim como moradores do edifício e pessoas na rua.

Durante o protesto, Felipe passou a balançar uma bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi quando, de acordo com seu depoimento, um motorista começou a hostilizar os manifestantes.

O homem, descrito por Felipe como bolsonarista, teria abaixado os vidros do carro, feito gestos obscenos e dirigido xingamentos e ameaças às pessoas que participavam do panelaço.

Felipe afirma que continuou balançando a bandeira, enquanto o porteiro passou a bater na panela com mais intensidade para abafar as provocações. Na sequência, segundo ele, o motorista saiu do veículo e avançou na direção dos participantes.

“Veio em nossa direção chamando pra briga, dizendo que queria brigar, que queria resolver aquilo na porrada”, relatou.

Ainda conforme o depoimento, o homem tentou escalar a parede do prédio. Felipe diz que os manifestantes não aceitaram a provocação e que o próprio motorista acionou a polícia.

A chegada dos agentes, entretanto, terminou com a condução do porteiro. Segundo Felipe, os policiais chegaram a querer algemar o trabalhador. Diante da abordagem, ele foi ao apartamento e chamou outros moradores pelo interfone para que descessem e registrassem o que estava acontecendo.

A sequência narrada exige esclarecimentos. Se confirmada, representa uma grave inversão: quem participava de um protesto teria sofrido intimidação, enquanto a intervenção policial terminou atingindo o trabalhador que se juntou à manifestação.

Divergência eleitoral não autoriza ameaças nem tentativas de agressão. A atuação policial precisa proteger os envolvidos e apurar as condutas de cada pessoa, sem transformar a preferência política dos manifestantes em motivo de repressão.

Felipe afirma que existem diversos registros das ameaças e menciona a lavratura de um termo circunstanciado, sem esclarecer em nome de quem ou por qual enquadramento. Ele também diz ter registrado uma ocorrência contra o homem.

Não foi possível confirmar de forma independente o fundamento da condução, eventual uso de algemas ou a existência de prisão formal. Nas buscas realizadas para esta matéria, não foi localizada uma manifestação oficial da polícia sobre o episódio. O relato apresentado torna necessário esclarecer por que o porteiro foi levado e quais providências foram adotadas diante das ameaças denunciadas.

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