Mais um bebê morre no Hospital da Cidade de Maceió, inaugurado por JHC
Defendido pelo ex-prefeito como referência, HC volta a ser alvo de denúncia de suposta negligência em menos de 40 dias
Mais um bebê morreu após o parto no Hospital da Cidade de Maceió, unidade inaugurada na gestão do ex-prefeito e atual candidato ao Governo de Alagoas, JHC (PSDB). A família acusa o hospital de demora no atendimento à gestante e levanta a suspeita de negligência. A direção contesta a versão e afirma que todos os protocolos médicos foram cumpridos.
O bebê Henrique morreu pouco depois do nascimento. Segundo os parentes, a mãe, grávida de nove meses, chegou ao hospital por volta das 7h, já apresentando sangramento. Ela teria passado por um exame inicial e sido encaminhada à triagem, mas só foi levada ao centro cirúrgico após o agravamento do quadro.
“Quando foram olhar ela pela segunda vez, já estava sangrando, já tinha sangue pela sala e o chinelo dela estava cheio de sangue. Aí correram com ela para a sala de cirurgia”, relatou Rita, avó materna da criança.
A avó paterna, que acompanhou o parto, afirmou ter ouvido Henrique chorar após o nascimento, mas percebeu que ele não apresentava reação. A equipe médica realizou procedimentos de reanimação, mas o bebê não resistiu. A mãe permanece internada.
Na noite de quarta-feira (9), a direção médica reuniu-se com a família para explicar os procedimentos adotados e as circunstâncias da morte. Os parentes, no entanto, sustentam que o desfecho poderia ter sido diferente se a cesariana tivesse sido realizada logo após a chegada da gestante.
O coordenador médico da obstetrícia do Hospital da Cidade, Ramon Carneiro, negou que tenha ocorrido negligência. Segundo ele, a paciente apresentou uma intercorrência obstétrica grave, súbita e sem sinais anteriores que permitissem prever o quadro.
“Quando a equipe fez o diagnóstico do quadro clínico, já procurou fazer todas as condutas de imediato. Do diagnóstico até a resolução do parto, transcorreram 20 minutos”, afirmou.
O médico disse que o bebê foi retirado com vida, mas não respondeu como esperado durante a reanimação neonatal. Segundo ele, a rapidez da equipe também foi determinante para preservar a vida da mãe. O prontuário, ainda de acordo com o hospital, não registra que a gestante apresentava sangramento no momento da admissão.
O caso será apurado internamente. “Até então, a gente não percebeu nenhuma negligência médica. Muito pelo contrário, a gente percebeu uma atuação médica exemplar, que conseguiu salvar a vida da mãe”, declarou Ramon Carneiro.
Segunda morte em menos de 40 dias
É a segunda vez, em menos de 40 dias, que a morte de um bebê provoca acusações contra o atendimento prestado pelo Hospital da Cidade. Em 3 de agosto, Nícolas Ravi morreu após nascer prematuramente na recepção da unidade.
A mãe, Morgana Lopes, de 21 anos, chegou ao hospital com aproximadamente 24 semanas de gestação e fortes dores. Segundo a família, ela teria aguardado cerca de uma hora e entrou em trabalho de parto ainda na recepção. O bebê foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva, mas não resistiu. [Na ocasião, o hospital informou que a gestante evoluiu rapidamente durante a triagem e abriu um procedimento interno para investigar o atendimento.
O Hospital da Cidade foi inaugurado por JHC em 2024 e apresentado como a primeira unidade hospitalar municipal de Maceió. O complexo também passou a abrigar a primeira maternidade pública mantida pelo município.
Embora JHC tenha deixado a prefeitura em abril de 2026 para disputar o Governo de Alagoas, o candidato continua utilizando o hospital como uma das principais vitrines de sua administração e defende que o modelo implantado em Maceió seja levado para todo o Estado.