MACEIÓ É MASTER

PF deixa Iprev com computadores, equipamentos e documentos após buscas em Maceió; VEJA VÍDEO

Novas imagens mostram agentes federais colocando material em viaturas depois de diligência na sede da previdência municipal; investigação apura suspeita de gestão fraudulenta em aplicações ligadas ao Banco Master

Por Redação Publicado em 10/08/2026 às 12:14
PF deixa Iprev com computadores, equipamentos e documentos após buscas em Maceió Reprodução

Novas imagens obtidas pela Tribuna do Sertão mostram agentes da Polícia Federal deixando a sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), nesta segunda-feira (10), carregando computadores, equipamentos e documentos retirados do prédio durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Os vídeos mostram os policiais saindo da autarquia com o material, colocando os itens nas viaturas da Polícia Federal e, em seguida, deixando o local.

As imagens representam um novo capítulo da operação realizada nesta manhã e mostram que a diligência não ficou restrita à coleta de informações ou ao cumprimento de procedimentos formais dentro do instituto.

Até o momento, porém, a Polícia Federal não detalhou publicamente quais documentos foram retirados, quantos computadores e equipamentos foram levados, a quem pertencem ou qual conteúdo específico será analisado pelos investigadores.

A expectativa é que equipamentos eletrônicos eventualmente recolhidos sejam submetidos aos procedimentos técnicos determinados no inquérito, enquanto documentos poderão auxiliar a Polícia Federal a reconstruir a cadeia de decisões que antecedeu os investimentos questionados.

Oito mandados


A Polícia Federal confirmou nesta segunda-feira o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão, em ação realizada com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).

As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, a decisão é do ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master.

A investigação federal tem como objeto duas aplicações realizadas pelo Iprev nos anos de 2023 e 2024 que, segundo a PF, totalizaram R$ 97 milhões.

Os investigadores querem esclarecer como ocorreram etapas consideradas fundamentais antes da liberação dos recursos: credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão.

A PF informou ainda que a apuração envolve suspeita da prática do crime de gestão fraudulenta, sem prejuízo da identificação de outros possíveis delitos durante o andamento do inquérito.

Computadores podem ajudar a reconstruir decisões


A retirada de computadores e documentos ganha importância justamente diante do objeto anunciado pela Polícia Federal.

Para esclarecer como uma aplicação milionária foi realizada, os investigadores poderão buscar, entre outros elementos, processos administrativos, pareceres, atas, relatórios técnicos, análises de risco, comunicações internas e registros digitais produzidos no período em que os investimentos foram discutidos e aprovados.

Não é possível afirmar, neste momento, quais desses elementos estão no material levado pelos agentes nesta segunda-feira.
As imagens, entretanto, confirmam visualmente que a equipe da Polícia Federal deixou o prédio transportando material proveniente da diligência.

Investimentos ocorreram durante o período da gestão JHC


O IPREV é uma autarquia autônoma e as aplicações investigadas foram realizadas quando JHC comandava a Prefeitura de Maceió.
O caso passou a ser objeto de denúncias e questionamentos depois que vieram a público os investimentos feitos com recursos previdenciários em ativos relacionados ao Banco Master.

Há meses, a Tribuna do Sertão acompanha o episódio e publica informações sobre as denúncias apresentadas pelo vereador Rui Palmeira, por entidades representativas dos servidores municipais e sobre a participação das estruturas administrativas e técnicas responsáveis pela política de investimentos do instituto.

Entre os pontos já levantados estão a atuação do Comitê de Investimentos, as deliberações do Conselho do Iprev e o papel da consultoria Crédito e Mercado, que prestava assessoramento financeiro à autarquia.

A Polícia Federal não informou até agora quais pessoas físicas ou jurídicas são formalmente alvos dos oito mandados cumpridos nesta segunda-feira. Por isso, não é possível atribuir a qualquer ex-gestor, servidor, consultoria ou agente político a condição de investigado nesta fase sem confirmação oficial.

Iprev diz colaborar


O Maceió Previdência afirmou, em nota divulgada nesta segunda-feira, que vem colaborando com as investigações, prestando esclarecimentos e fornecendo as informações solicitadas pelas autoridades.

A autarquia também sustenta que os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis.
A operação, entretanto, entra agora em uma etapa que poderá ser decisiva.

Além das informações já existentes em processos e documentos públicos, a Polícia Federal passa a contar com o material obtido durante o cumprimento das buscas.

A análise desses documentos e equipamentos poderá ajudar a responder as perguntas que estão no centro da investigação: quem participou das decisões, quais avaliações de risco foram feitas, que recomendações foram apresentadas e como os recursos previdenciários chegaram aos investimentos agora investigados pela Polícia Federal.