MACEIÓ

PF detalha operação no IPREV: oito mandados apuram possível gestão fraudulenta em investimentos

Investigadores querem saber como ocorreram credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão antes das aplicações de recursos previdenciários

Por Redação Publicado em 10/08/2026 às 11:49
Polícia Federal esteve no IPREV hoje (10) em Maceió cumprindo mandados de busca e apreensão

A Polícia Federal divulgou novos detalhes sobre a operação realizada nesta segunda-feira (10) envolvendo o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió, atualmente Maceió Previdência, e confirmou que a investigação vai além da simples identificação dos valores aplicados no Banco Master.

Foram cumpridos oito mandatos de busca e apreensão, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Folha de S.Paulo, a medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça e está relacionada à Operação Compliance Zero, que investiga o caso Banco Master.

A informação representa um avanço em relação ao que se soube nas primeiras horas desta segunda-feira, quando a Tribuna do Sertão noticiou a presença de agentes federais na sede do Iprev, mas ainda não havia divulgação oficial sobre quantidade de mandados, objeto específico de investigação ou crimes sob apuração.

Agora, a PF informou que investiga duas aplicações realizadas nos anos de 2023 e 2024, que totalizaram R$ 97 milhões.

Mais importante do que o valor, entretanto, é o roteiro que o pesquisador pretende reconstruir.

Segundo a própria Polícia Federal, a purificação busca esclareceu as estatísticas relacionadas ao credenciamento, à cotação, à análise de risco, à governança e à tomada de decisão que antecederam os investimentos.

Na prática, a investigação federal deverá procurar respostas para perguntas feitas há meses por servidores, parlamentares e pela própria imprensa: quem apresentou a instituição financeira ao Iprev, quais alternativas foram comparadas, que avaliação de risco foi realizada, quem participou das decisões e quais documentos sustentaram a autorização das operações.

PF menciona gestão fraudulenta


Outro dado novo divulgado nesta segunda-feira é a natureza criminosa da investigação.

A Polícia Federal informou que apura a possível prática de gestão fraudulenta, sem prejuízo da identificação de outros delitos eventualmente relacionados aos fatos.

Isso não significa que gestores ou determinadas pessoas já tenham sido considerados considerados considerados. A investigação está especificamente prevista para estabelecer se houve crime, quem eventualmente ocorreu e quais responsabilidades podem ser individualizadas.

Até agora, a PF não tornou públicos os nomes dos alvos dos oito mandados nem todos os locais onde as buscas foram realizadas.

Operação foi autorizada pelo STF


A Folha de S.Paulo informou que os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF, e que a medida está relacionada à Operação Compliance Zero.

A presença da CGU na operação também chama atenção porque acrescenta à investigação policial uma estrutura federal especializada em controle, auditoria e análise da aplicação de recursos públicos.

A ação desta segunda-feira, portanto, coloca o caso de Maceió em uma nova fase.

Até então, grande parte do debate público girava em torno do valor aplicado, do risco reforçado e das consequências da liquidação do Banco Master. Agora, a investigação federal passa explicitamente para o processo que produziu a decisão.

É nesse caminho - do credenciamento à autorização final — que poderão estar algumas das principais respostas sobre o episódio.