RUA ABERTA

Reordenação promovida pela Prefeitura de Maceió é alvo de críticas após prejudicar ambulantes da orla

Comerciantes relatam queda de até 50% nas vendas, perda de visibilidade e cobram organização, cadastro definitivo e diálogo com o município

Por Redação Publicado em 04/08/2026 às 08:14
Os trabalhadores afirmam que, desde 2022, existe um pedido protocolado junto ao município para regulamentar a atividade, mas o processo ainda não foi concluído Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

A reestruturação da Rua Aberta, localizada na orla da Ponta Verde, em Maceió, continua sendo alvo de críticas por parte de ambulantes e pequenos empreendedores que atuam aos domingos na região. A reorganização promovida pela Prefeitura retirou barracas e carrinhos da área mais próxima à praia, transferindo os comerciantes para o canteiro central da Faixa Verde, alteração que, segundo os trabalhadores, trouxe prejuízos financeiros e dificuldades para a continuidade das atividades.

No segundo domingo após a implementação da medida, os vendedores afirmaram que um dos principais problemas enfrentados é a ausência de uma definição clara sobre os locais destinados a cada comerciante. Sem pontos fixos, eles relatam que precisam disputar espaço semanalmente, situação que gera insegurança e dificulta a fidelização da clientela.

Outro impacto apontado pelos ambulantes é a perda de visibilidade. De acordo com os trabalhadores, muitos consumidores habituais não conseguem localizar as barracas após a mudança de posição, fator que tem contribuído para a redução do movimento.

Os reflexos também já foram sentidos no faturamento. Segundo relatos dos comerciantes, as vendas sofreram uma queda de aproximadamente 50% em comparação ao período anterior à reordenação, comprometendo a renda de famílias que dependem da comercialização realizada durante a Rua Aberta.

Além das mudanças na disposição dos empreendimentos, a categoria cobra uma solução para um antigo problema: a ausência de um cadastro oficial dos ambulantes. Os trabalhadores afirmam que, desde 2022, existe um pedido protocolado junto ao município para regulamentar a atividade, mas o processo ainda não foi concluído.

Na avaliação dos comerciantes, a criação desse cadastro permitiria estabelecer critérios objetivos para a ocupação dos espaços, definir pontos fixos de funcionamento e oferecer maior segurança jurídica aos profissionais que atuam regularmente na orla. Eles também argumentam que a falta de regulamentação favorece a atuação de vendedores vindos de outras cidades, reduzindo as oportunidades para quem trabalha no local durante todo o ano.

A reordenação da Rua Aberta integra o cumprimento de uma decisão judicial que determina ao Município de Maceió promover o ordenamento da orla marítima da capital. A iniciativa busca disciplinar a utilização dos espaços públicos, preservar a circulação de pedestres e manter a organização de uma das áreas turísticas mais visitadas da cidade.

O desafio, entretanto, tem sido equilibrar a necessidade de organização urbana com a manutenção da atividade econômica exercida por centenas de pequenos empreendedores que dependem da movimentação da orla para garantir o sustento.

Para parte dos ambulantes, o processo priorizou aspectos relacionados à estética e à organização visual da orla, sem considerar os impactos diretos sobre os trabalhadores e seus clientes.

O debate, no entanto, extrapola os limites da Rua Aberta. Especialistas e moradores reconhecem a importância de disciplinar o comércio ambulante para assegurar mobilidade e melhor convivência entre turistas, moradores e comerciantes. Ao mesmo tempo, defendem que qualquer processo de reorganização seja conduzido com planejamento, transparência e diálogo entre o poder público e os profissionais afetados.

Outro ponto levantado é a concentração da atividade comercial nas praias da Ponta Verde e da Pajuçara. Enquanto esses trechos registram intenso fluxo de visitantes, outras regiões da orla, como Jaraguá, Cruz das Almas e a chamada Nova Orla, ainda apresentam movimento reduzido, apesar dos investimentos realizados pelo município.

Os ambulantes defendem que a solução passa pela implantação definitiva do cadastro, pela definição de locais fixos para funcionamento e pela construção de um canal permanente de diálogo com a administração municipal. Já a Prefeitura sustenta que o ordenamento busca conciliar o desenvolvimento da atividade econômica com a preservação da mobilidade urbana e da paisagem de um dos principais cartões-postais de Maceió.