Laudo do IML confirma que empresário foi morto com tiros na cabeça; perícia descarta sinais prévios de tortura
Peritos encontraram projéteis alojados no crânio de Rogério Carício; três suspeitos, incluindo dois policiais civis, já estão presos sob investigação
O laudo do exame cadavérico emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) Estácio de Lima confirmou que a morte do empresário Rogério Homem de Andrade Barros Carício foi causada por traumatismo cranioencefálico provocado por disparos de arma de fogo. O corpo da vítima foi localizado em um canavial na zona rural de Coruripe, no interior de Alagoas, um dia após o desaparecimento.
De acordo com o documento pericial, Rogério foi atingido por dois disparos na região occipital — parte posterior da cabeça. A violência dos impactos provocou fraturas na calota craniana e na base do crânio, além de graves hemorragias e lesões transfixantes no cérebro. Durante os procedimentos, os peritos colocaram dois projetos e uma jaqueta de munição alojada na cavidade craniana, material que já foi encaminhado para análise balística.
O relatório médico-legal também prestou esclarecimentos sobre marcas encontradas no corpo da vítima. Segundo a perícia, lesões observadas nas órbitas oculares, no canto dos lábios e na orelha esquerda foram causadas pela ação da fauna cadavérica após a morte, uma vez que não apresentaram fatos vitais. Em resposta a perguntas oficiais sobre o uso de meio cruel ou tortura, o perito responsável registrou que não existem elementos técnicos no cadáver que permitam confirmar ou descartar as hipóteses.
Entenda o caso e o avanço das investigações
Rogério Carício desapareceu no último dia 20, após ser abordado na porta de uma farmácia no centro de Coruripe por homens armados que usavam balaclavas (capuzes) e vestimentas semelhantes aos uniformes operacionais da Polícia Civil. O automóvel e o corpo do empresário foram localizados 24 horas depois.
As investigações avançaram rapidamente e culminaram em uma operação policial no sábado seguinte (25), quando dois policiais civis e um empresário foram detidos preventivamente suspeitos de envolvimento no crime.
A Polícia Civil de Alagoas segue à frente do caso para esclarecer a motivação do homicídio e individualizar a conduta de cada um dos presos. O investigador apuram ainda se o assassinato de Rogério possui ligação com a morte do mototaxista Erick Costa, ocorrida na mesma região.