DESCASO DERRUBA A GESTÃO FAKE

Maceió da propaganda x Maceió da realidade: lixo nas ruas desmonta discurso de eficiência da gestão JHC e Rodrigo Cunha

Enquanto a publicidade vende uma cidade de excelência, moradores convivem com resíduos acumulados, dívida milionária da Prefeitura e ações da Defensoria Pública cobrando transparência e providências.

Por Vladimir Barros Publicado em 24/07/2026 às 16:19
Maceió da propaganda x Maceió da realidade: lixo nas ruas desmonta discurso de eficiência da gestão JHC e Rodrigo Cunha

Há duas Maceiós convivendo lado a lado.

Uma aparece nas peças publicitárias, nas redes sociais e nos discursos oficiais da gestão do ex-prefeito JHC e do vice-prefeito Rodrigo Cunha. É a cidade apresentada como moderna, eficiente, organizada e exemplo de administração pública.

A outra é a Maceió que os moradores encontram diariamente ao abrir o portão de casa.

Nela, o lixo se acumula nas calçadas, toma conta das ruas, provoca mau cheiro, atrai insetos e expõe a população a riscos sanitários. Em diversos bairros, o serviço de coleta tem sido alvo de reclamações constantes, revelando uma realidade bem diferente daquela propagandeada pelo marketing institucional.

O contraste torna-se ainda mais evidente quando se observa a situação financeira do serviço. As empresas responsáveis pela coleta alegam ter mais de R$ 50 milhões a receber da Prefeitura de Maceió. A dívida, segundo informações já tornadas públicas, compromete a continuidade e a regularidade da prestação do serviço.

Enquanto isso, quem paga a conta é o cidadão.

Sem receber a coleta de forma adequada, moradores convivem diariamente com montanhas de resíduos em frente às próprias residências, cenário incompatível com a imagem de eficiência administrativa difundida pela gestão municipal.

A gravidade da situação levou a Defensoria Pública do Estado de Alagoas a agir. O órgão ajuizou ações civis públicas cobrando providências imediatas para enfrentar a crise da limpeza urbana e exigindo transparência da ALURB e da Agência Reguladora sobre a fiscalização dos contratos firmados com as empresas responsáveis pela coleta.

Segundo a Defensoria, os relatórios de fiscalização solicitados não foram apresentados, impedindo que a população acompanhe como está sendo fiscalizada a execução de um dos contratos mais importantes da administração municipal.

A crise da coleta deixou de ser apenas um problema administrativo. Tornou-se símbolo do descompasso entre o discurso oficial e a realidade vivida pela população.

De um lado, milhões de reais investidos na construção de uma imagem institucional de sucesso. Do outro, ruas tomadas pelo lixo, empresas cobrando pagamentos milionários, ações judiciais, questionamentos sobre a fiscalização dos contratos e uma população que convive diariamente com um serviço essencial em situação de evidente instabilidade.

A cidade do marketing continua existindo nas campanhas.

A cidade real, porém, pode ser vista sem filtros, nas calçadas, nos bairros e nas ruas onde o lixo se acumula à espera de uma solução.

E diante desse cenário, permanece a pergunta que ecoa entre os maceioenses: quem responderá pela crise da limpeza urbana e pela distância cada vez maior entre a propaganda oficial e a realidade vivida pela população?