Enquanto fornecedores denunciam calotes, Prefeitura de Maceió quer contrair mais R$ 523 milhões em empréstimos
Pacote de quatro operações de crédito enviado por Rodrigo Cunha à Câmara pode elevar para perto de R$ 3 bilhões o volume de financiamentos; oposição cobra transparência e prioridades
A Prefeitura de Maceió encaminhou à Câmara Municipal um novo pacote de projetos de lei solicitando solicitação para contratar quatro operações de crédito que somam aproximadamente R$ 523,4 milhões. Os montantes ampliam ainda mais o endividamento do município e reacende o debate sobre a política de financiamentos aplicados pela gestão iniciada por JHC e agora liderada pelo prefeito Rodrigo Cunha.
Os financiamentos solicitados são:
R$ 97.235.769,26 junto ao BNDES;
R$ 29.820.000,00 junto à Caixa Econômica Federal;
US$ 48 milhões junto ao CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, equivalente a cerca de R$ 246 milhões, conforme a cotação considerada pelo Executivo;
R$ 150 milhões em uma segunda operação junto ao BNDES.
Ao todo, os quatro pedidos representam aproximadamente R$ 523,4 milhões em novos empréstimos. Segundo a Prefeitura, os recursos serão destinados a obras de infraestrutura, projetos urbanos, ações de sustentabilidade ambiental e orientações voltadas à adaptação climática, incluindo parques e melhorias na mudança urbana.
Endividamento cresce
Caso os projetos aprovados pelos vereadores, o volume de operações de crédito autorizadas para o município se aproxime da marca de R$ 3 bilhões, somando-se aos empréstimos aprovados nos últimos anos.
O novo pedido chega num momento em que a administração municipal vem sendo alvo de críticas por parte da oposição, que aponta dificuldades na prestação de serviços públicos e cobra explicações sobre a execução dos financiamentos já autorizados.
Nos últimos meses, vereadores e lideranças políticas também levantaram questionamentos sobre relatos de atrasos em pagamentos a fornecedores, dificuldades enfrentadas por questões de serviços e problemas em áreas como saúde, mobilidade urbana e infraestrutura.
Teca Nelma questiona prioridades
Em vídeo publicado nas redes sociais, a vereadora Teca Nelma criticou o novo pacote de financiamentos e questionou a estratégia financeira da administração municipal.
“Até quando Maceió vai continuar aumentando a sua dívida?”, questionou um parlamentar.
Segundo ela, o volume de recursos já autorizados seria suficiente para promover uma transformação estrutural de capital.
"Com esse dinheiro, daria para construir muitas escolas de ensino fundamental, unidades básicas de saúde, enfim, daria para fazer uma grande mudança na realidade em Maceió."
A vereadora também afirmou que, apesar da população da sucessão de contribuições, continua convivendo com problemas em áreas essenciais.
"Na prática, a mobilidade continua com problemas, a saúde enfrenta dificuldades, servidores e fornecedores relacionam atrasos e a população segue convivendo com serviços que estão longe do que merecem."
Ao concluir a manifestação, Teca defendeu maior transparência sobre o impacto fiscal das operações.
"Essa é uma dívida que sobra para a população de hoje e para as próximas gerações. O futuro de Maceió não pode ser hipotecado sem que a cidade saiba exatamente quanto vai pagar e o que vai receber em troca. Prefeito, fazer empréstimos sem planejamento não é massa."
Debate na Câmara
Os quatro projetos agora serão analisados pela Câmara Municipal. Caberá aos vereadores decidir se autorizam ou não as novas operações de crédito.
A discussão promete colocar em lados opostos a justificativa do Executivo — de que os recursos financiam investimentos estruturantes para a cidade — e os questionamentos da oposição sobre o crescimento do endividamento, a capacidade de pagamento do município e os resultados concretos dos empréstimos já aprovados.