Tensão em Alagoas: Operação policial em fazenda sob disputa judicial gera denúncias de herdeiros
Familiares da tradicional família Omena contestam ação da PM e alegam que mandado apresentado era falso; imóvel é o pivô de um embate milionário que se arrasta na Justiça
Uma operação da Polícia Militar de Alagoas (PMAL) elevou a temperatura da disputa jurídica em torno da Fazenda Vale do Catolé, propriedade localizada na divisa entre os municípios de Maceió e Satuba. Imagens que circularam nas redes sociais registraram momentos de forte tensão entre os policiais e as pessoas que ocupavam o local.
De acordo com relatos dos herdeiros do empresário Jairo Farias de Omena, antigo proprietário das terras, os militares entraram no imóvel portando um mandado judicial que os familiares alegam ser falso.
Em um dos vídeos divulgados, uma idosa de 79 anos — identificada pela família como a matriarca — aparece tentando dialogar com um oficial. Outro trecho mostra uma mulher questionando veementemente a proporcionalidade da força utilizada pelos agentes e a conduta da tropa durante a abordagem.
O Pivô da Disputa: R$ 2,6 milhões em Jogo
A Fazenda Vale do Catolé é a joia da coroa do espólio de Jairo Farias de Omena, falecido em 1998. O imóvel representa aproximadamente 78% de todo o patrimônio deixado pelo empresário e é o centro de um cabo de guerra jurídico entre os herdeiros e o inventariante dativo, Daniel dos Santos Gomes, nomeado pela Justiça para administrar os bens.
Os familiares contestam a condução do inventário e apontam duas principais irregularidades:
Falta de consentimento: Afirmam que o imóvel foi negociado sem a autorização da família.
Preço abaixo do mercado: A fazenda foi avaliada em cerca de R$ 2,6 milhões, mas os herdeiros sustentam que o valor real de mercado poderia ser até quatro vezes maior. Eles defendem, ainda, que não haveria a necessidade de vender o imóvel para quitar as dívidas do espólio.
O Outro Lado
Em manifestações anteriores sobre o processo, o inventariante Daniel dos Santos Gomes rebatou as acusações. Segundo a defesa de Gomes, tanto a avaliação do preço quanto a autorização expressa para a venda da fazenda foram validadas e confirmadas pelo Poder Judiciário em duas instâncias. O administrador judicial mantém a postura de que a alienação das terras é uma medida estritamente necessária para arcar com as despesas e sanar os débitos acumulados pelo espólio ao longo dos anos.