FARRA JUNINA DE R$28 MILHÕES

Maceió só perde em gastos com shows para Aracaju e Salvador e supera o maior São João do Mundo em Caruaru em R$ 8 milhões

Capital alagoana destinou R$ 28,11 milhões aos cachês artísticos do São João de 2026 e gastou cerca de R$ 8 milhões a mais que Caruaru, cidade conhecida como o “Maior e Melhor São João do Mundo”

Por Cinara Corrêa Publicado em 15/07/2026 às 12:22
Gestores perdulários fizeram a farra junina de R$28 milhões

Tallin, Estônia - Maceió ficou atrás apenas de Aracaju e Salvador entre as capitais brasileiras que mais utilizaram recursos públicos na contratação de shows para os festejos juninos de 2026. A Prefeitura da capital alagoana destinou R$ 28,11 milhões exclusivamente ao pagamento de caches artísticos, segundo levantamento nacional realizado pelo observatório De Olho nos Ruralistas.

Com esse volume de despesas, Maceió ocupou a terceira posição no ranking nacional, ficando abaixo somente de Aracaju, que investiu R$ 39,27 milhões, e de Salvador, com R$ 34,16 milhões em contratações artísticas.

O dado que mais chama atenção é a comparação com os polos juninos tradicionais do Nordeste. Maceió gastou aproximadamente R$ 8 milhões mais que Caruaru, em Pernambuco, cidade que promove uma das festas mais conhecidas do país e utiliza a denominação de “Maior e Melhor São João do Mundo”.

A capital alagoana também superou Campina Grande, na Paraíba, outro município historicamente reconhecido pela dimensão e pela tradição de seus festejos juninos. Caruaru e Campina Grande não apareceram entre os 15 municípios com maiores despesas em caches artísticos apresentados pelo levantamento.

Terceiro maior gasto do país


Os números mostram que Maceió, mesmo sem possuir a mesma tradição histórica de Caruaru e Campina Grande na realização de festas juninas, passou a ocupar posição de destaque nacional no volume de recursos destinados à contratação de artistas.

O valor de R$ 28,11 milhões corresponde apenas aos caches dos shows. Portanto, não inclui necessariamente outras despesas relacionadas à estrutura dos eventos, como montagem de palcos, iluminação, sonorização, segurança, publicidade, logística, hospedagem, transporte e demais serviços.

O levantamento reacende o debate sobre as prioridades orçamentárias da administração municipal e a necessidade de transparência na aplicação dos recursos públicos, especialmente diante do elevado volume destinado às apresentações artísticas durante um período concentrado no ano.



Dossiê analisa o mercado de shows


Intitulado “Farras”, o estudo do observatório De Olho nos Ruralistas não se limita à comparação dos valores gastos pelos municípios. O trabalho também analisa possíveis conexões entre emendas parlamentares, grupos políticos locais, empresas produtoras de eventos, artistas e setores econômicos ligados ao mercado de apostas esportivas.

O objetivo, segundo os pesquisadores, é compreender como funciona o mercado de grandes espetáculos financiados com recursos públicos e de que forma os contratos acabam concentrados em determinados artistas, escritórios e produtos.
O pesquisador Tonsk Fialho ressalta que o levantamento não se posiciona contra os investimentos públicos em cultura nem contra a realização de grandes festas populares.

“A questão é entender por que os recursos acabam concentrados em um número tão pequeno de artistas e produtoras, enquanto tantos outros artistas locais e regionais ficam fora desse circuito”, explica.

Debate sobre prioridades e transparência


A posição alcançada por Maceió no ranking nacional coloca a capital alagoana no centro das discussões sobre a proporcionalidade dos gastos, os critérios utilizados para a contratação dos artistas e o espaço reservado aos representantes da cultura local.

O levantamento também reforça a importância da ampla divulgação dos contratos, dos processos de inexigibilidade de licitação, das justificativas para os valores pagos e das fontes orçamentárias utilizadas no financiamento das festas.

Com R$ 28,11 milhões destinados somente aos cachês, Maceió ficou atrás apenas de duas capitais brasileiras e ultrapassou em cerca de R$ 8 milhões Caruaru, um dos mais tradicionais destinos juninos do país.