TURISMO E PATRIMÔNIO

Viçosa se ressente de ficar fora da Rota Turística das Cidades Coloniais criada por lei federal

Lei nº 15.444/2026, sancionada pelo presidente Lula e de autoria do deputado federal Alfredo Gaspar, contempla sete municípios alagoanos e Viçosa ficou ausente

Por Land Quintella Publicado em 04/07/2026 às 16:40
Casarões centenários do centro histórico de Viçosa reforçam o patrimônio arquitetônico que faz da cidade uma das referências culturais da Zona da Mata alagoana

A criação da Rota Turística das Cidades Coloniais Alagoanas representa um importante avanço para o fortalecimento do turismo histórico no Estado. Instituída pela Lei Federal nº 15.444, de 26 de junho de 2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e originada de projeto de autoria do deputado federal Alfredo Gaspar, a iniciativa busca valorizar cidades com relevante patrimônio histórico, arquitetônico e cultural.

Entretanto, em Viçosa, o sentimento predominante entre moradores, historiadores e pessoas ligadas ao setor cultural é de frustração. Conhecida como a Atenas de Alagoas, a cidade ficou de fora da relação dos municípios contemplados, o que gerou questionamentos sobre sua ausência na nova rota turística.

A legislação inclui inicialmente os municípios de Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, Delmiro Gouveia, União dos Palmares, Porto Calvo e Água Branca, que passam a integrar oficialmente o circuito destinado a estimular o turismo histórico, a preservação da memória e o desenvolvimento econômico por meio da valorização de seus atrativos culturais.


Sentimento de esquecimento
Em Viçosa, muitos moradores entendem que o município também reúne características que justificariam sua inclusão no roteiro turístico estadual. A discussão não se concentra em críticas à criação da lei — considerada uma iniciativa importante para Alagoas —, mas na expectativa de que a cidade também seja reconhecida em futuras ampliações da rota.
Para a população, a exclusão representa a perda de uma oportunidade de fortalecer o turismo local, ampliar a divulgação do patrimônio histórico e atrair novos investimentos para o município.


Um dos mais importantes acervos históricos do interior

Viçosa preserva um dos conjuntos arquitetônicos mais tradicionais de Alagoas. O centro histórico mantém casarões, sobrados e edificações que testemunham a formação urbana da antiga Vila da Assembleia, refletindo a ocupação da Zona da Mata alagoana durante os séculos XIX e início do século XX.

Entre os bens históricos do município destacam-se a Fazenda Bananal, construída em 1836 e considerada o mais antigo engenho preservado de Viçosa; a histórica Usina Boa Sorte; a Casa da Cultura; o tradicional Bar do Cavaquinho; além da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, erguida em meados do século XIX sobre o local onde existiu a primeira capela da cidade e onde, segundo registros históricos, foi celebrada a primeira missa do município.

Esse conjunto arquitetônico faz de Viçosa uma referência na preservação da memória da Zona da Mata alagoana.

Importância na formação histórica de Alagoas
A relevância histórica de Viçosa também aparece em estudos e obras de pesquisadores alagoanos.

No livro "Viçosa de Alagoas", publicado em 1914, o historiador Alfredo Brandão registra a importância do município durante o período colonial, mencionando sua ligação com a rota dos quilombolas e apresentando a tese de que Zumbi dos Palmares teria sido morto em território viçosense — interpretação distinta da versão historicamente mais difundida.
Independentemente das diferentes correntes historiográficas, a obra reforça a participação de Viçosa na formação histórica de Alagoas e sua ligação com acontecimentos marcantes do período colonial.

Mobiliário urbano de Viçosa alimenta o sentimento dos moradores de que a "Atenas de Alagoas" também poderia integrar a Rota Turística das Cidades Coloniais criada pela Lei Federal nº 15.444/2026.




Debate sobre os critérios


A ausência de Viçosa também alimentou debates entre estudiosos e moradores sobre os critérios utilizados para definir os municípios contemplados pela nova legislação.
Entre as cidades integrantes da rota está União dos Palmares, cuja importância histórica é reconhecida nacionalmente pela relação com o Quilombo dos Palmares e a resistência negra durante o período colonial. Para parte dos estudiosos viçosenses, a história, o patrimônio arquitetônico e a preservação cultural de Viçosa igualmente justificariam sua presença no circuito turístico.

Lei representa avanço para o turismo alagoano
A sanção da Lei nº 15.444/2026 foi comemorada por lideranças dos municípios contemplados, já que a expectativa é de fortalecimento do turismo histórico, incentivo à preservação do patrimônio cultural e ampliação das ações de promoção turística.

Na última sexta-feira (3), durante visita a Penedo, um dos municípios integrantes da rota, o deputado federal Alfredo Gaspar destacou, em suas redes sociais, os benefícios que a nova legislação poderá proporcionar às cidades contempladas.

A iniciativa é considerada um importante instrumento para impulsionar o turismo cultural em Alagoas. Em Viçosa, porém, permanece o sentimento de que a cidade também possui méritos suficientes para integrar esse circuito e a expectativa de que, futuramente, possa ser incluída na rota por meio de eventual atualização da legislação.

Posicionamento

A Tribuna do Sertão entrou em contato com o deputado federal Alfredo Gaspar para solicitar esclarecimentos sobre os critérios adotados para a definição dos municípios integrantes da Rota Turística das Cidades Coloniais Alagoanas e para saber se existe a possibilidade de futura ampliação da lei com a inclusão de novos municípios, entre eles Viçosa.

Até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação do parlamentar.

Moradores de Viçosa defendem que a "Atenas de Alagoas" também reúne patrimônio histórico e arquitetônico para integrar o circuito

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