Crise na UPA do Benedito Bentes: Vídeo com denúncia de negligência médica viraliza e gera revolta em Maceió
Relato de criança que desmaiou sem atendimento imediato acende debate sobre prioridades da gestão municipal em meio a gastos milionários com o São João
Um vídeo publicado nas redes sociais disparou um sinal de alerta sobre as condições da rede municipal de saúde em Maceió. A gravação, que rapidamente viralizou, mostra a indignação de um cidadão ao presenciar a espera de uma criança de 9 anos por assistência médica na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Benedito Bentes. Segundo a denúncia, enquanto os pacientes aguardavam, um profissional da unidade estaria em horário de descanso.
O relato aponta que a criança apresentava fortes dores e chegou a desmaiar na unidade sem receber socorro imediato. Além disso, o denunciante questionou a lentidão no fluxo de atendimento para pacientes com a pulseira amarela (classificados como urgentes), que relataram espera superior a uma hora. As imagens exibem a recepção lotada e registram o momento em que pessoas desistem do atendimento e deixam o local após horas de espera.
Repercussão e cobrança política
A publicação abriu espaço para uma enxurrada de críticas na internet. Centenas de moradores da capital utilizaram os comentários para relatar experiências semelhantes na UPA do Benedito Bentes, que é uma das principais portas de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) na região. Entre as queixas mais comuns estão a superlotação crônica, a falta de médicos e o tempo de espera excessivo.
O episódio inflamou o debate político local. Nas redes sociais, internautas passaram a questionar as prioridades da Prefeitura de Maceió, comandada por Rodrigo Cunha. A população contesta o contraste entre a precariedade dos serviços de urgência e os investimentos de milhões de reais destinados à programação e estrutura do São João da capital.
"É inadmissível ver a saúde desamparada enquanto se gastam milhões em festa", protestou um dos usuários em uma plataforma digital.
Próximos passos
Diante do cenário, usuários do sistema público exigem um posicionamento oficial e esclarecimentos por parte da Secretaria Municipal de Saúde a respeito da escala de médicos plantonistas, do cumprimento do tempo médio de espera e das condições gerais de funcionamento da UPA.
O autor da denúncia informou que não pretende deixar o caso restrito às redes sociais: ele afirmou que formalizará uma representação junto ao Ministério Público para que a Prefeitura seja cobrada judicialmente a tomar providências imediatas sobre o ocorrido.