Lixo acumula em Maceió enquanto prefeitura investe R$ 14,8 milhões no São João
Moradores enfrentam falhas na coleta de resíduos, e órgãos de controle investigam gastos milionários com cachês juninos em meio a dívida de R$ 45 milhões com empresa terceirizada
O contraste entre a precariedade de serviços essenciais e os gastos com grandes eventos virou alvo de polêmica e investigação em Maceió. Enquanto moradores de diversas regiões da capital alagoana convivem com o acúmulo de lixo e falhas na coleta de resíduos, o prefeito Rodrigo Cunha acelera os preparativos para o São João Massayó 2026. O evento, cujos cachês das atrações artísticas somam R$ 14,8 milhões, entrou oficialmente na mira do Ministério Público Estadual (MPE) e do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL).
A crise ganhou novos contornos com a confirmação de um expressivo impasse financeiro entre o município e as empresas terceirizadas que realizam a limpeza urbana. Em entrevista à CBN Maceió, a Via Ambiental, uma das concessionárias afetadas, revelou que as pendências financeiras da prefeitura com a empresa ultrapassam a marca dos R$ 45 milhões.
“A Via Ambiental confirma a existência de pendências financeiras relacionadas ao Contrato nº 114/2020, envolvendo tanto valores já reconhecidos administrativamente quanto pleitos de reequilíbrio econômico-financeiro ainda em análise pela Administração Municipal”, informou a concessionária em nota oficial.
Origem da dívida e impacto nos bairros
Segundo a prestadora de serviços, o montante milionário não se refere a um período isolado, mas sim a uma soma de fatores acumulados desde o início da execução do contrato. O valor cobrado envolve:
Reajustes contratuais e revisões de preços previstos em lei;
Compensações financeiras por variação de custos;
Medições de serviços que já foram efetivamente executados nas ruas da capital.
A empresa assegura que todas as cobranças estão devidamente formalizadas em processos administrativos, amparadas por documentos técnicos, financeiros e jurídicos. Apesar do calote parcial, a Via Ambiental declarou que mantém as operações ativas e busca soluções institucionais com a gestão municipal para evitar o colapso do serviço e poupar a população de maiores impactos.
Investigação e cobrança por transparência
O Ministério Público e o TCE-AL analisam se a liberação de recursos para o São João Massayó compromete a saúde financeira do município e o pagamento de fornecedores essenciais. O questionamento central das autoridades é a priorização do orçamento público: como a cidade pode arcar com cachês festivos milionários enquanto a estrutura básica de saneamento e coleta de lixo enfrenta um passivo de R$ 45 milhões?
Até o momento, os órgãos de controle aguardam esclarecimentos detalhados da gestão do prefeito Rodrigo Cunha sobre o cronograma de pagamento das terceirizadas e as justificativas para os valores empenhados nos shows juninos.