Sob pressão da Câmara, Geraldo Neto, filho do vereador Geraldinho, é exonerado e volta “vapt-vupt” ao cargo
Recuo ocorreu no mesmo dia e expôs a força dos vereadores sobre a gestão de Luísa Júlia Duarte; Agenor Leôncio e Adrailton Bernardo permaneceram fora dos cargos
A crise entre a Câmara Municipal e a Prefeitura de Palmeira dos Índios ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (12), um dia após a sessão marcada por discursos agressivos, ameaças políticas e cobranças dirigidas à prefeita Luísa Júlia Duarte.
A prefeita iniciou uma mudança em cargos estratégicos da administração e exonerou o secretário municipal de Serviços Públicos e Convívio Urbano, Geraldo Ribeiro Lima Neto, filho do vereador Geraldinho Ribeiro, integrante da Mesa Diretora da Câmara.
A exoneração, no entanto, durou pouco.
Após a publicação do ato, informações apuradas pela Tribuna do Sertão nos bastidores apontam que vereadores exerceram forte pressão sobre a prefeita. Ainda no mesmo dia, Luísa Júlia Duarte voltou atrás e tornou sem efeito tanto a exoneração de Geraldo Neto quanto a nomeação de Arnaldo Cavalcante Lima para substituí-lo.
Foi uma exoneração “vapt-vupt”: Geraldo saiu e retornou ao cargo praticamente de imediato.
O episódio demonstra que, apesar de ter acionado a caneta após a ofensiva dos vereadores, a prefeita não conseguiu sustentar integralmente as mudanças diante da pressão exercida pela Câmara.
Pressão após sessão de ameaças
O recuo ocorreu menos de 24 horas depois de uma sessão marcada pelo aumento da tensão entre os poderes Legislativo e Executivo.
Durante os discursos, a prefeita foi alvo de declarações interpretadas como ameaças políticas. O presidente da Câmara afirmou que Luísa Júlia Duarte deveria “começar a governar” e declarou que os vereadores ficariam “no cangote” da administração caso a gestão mexesse nos espaços ocupados por indicados dos parlamentares.
Também houve ataques indiretos ao ex-prefeito Júlio Cezar, sobrinho da prefeita e pré-candidato a deputado federal. Em uma das falas registradas em vídeo, o ex-prefeito foi desafiado a “ser homem”.
A reação dos vereadores ocorreu depois que a Prefeitura retirou cargos ligados ao vereador Fábio Targino. Parlamentares passaram a tratar as exonerações de indicados políticos como uma agressão coletiva à Câmara, transformando cargos da administração em instrumento de pressão contra a prefeita.
Geraldo foi exonerado e retornou no mesmo dia
A Portaria nº 477/2026 exonerou Geraldo Ribeiro Lima Neto do comando da Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Convívio Urbano.
Na sequência, Arnaldo Cavalcante Lima, que ocupava uma função adjunta na administração, foi exonerado e indicado para assumir o lugar de Geraldo à frente da pasta.
Horas depois, porém, um novo ato tornou sem efeito as mudanças. Com isso, Geraldo Neto permaneceu como secretário e Arnaldo Cavalcante continuou no cargo de secretário municipal adjunto.
A rapidez do recuo reforçou, nos bastidores políticos, a avaliação de que a Câmara conseguiu dobrar a decisão da prefeita e preservar o espaço ocupado pelo filho do vereador Geraldinho Ribeiro.
Não houve explicação pública detalhada sobre o motivo da anulação das portarias nem sobre os critérios administrativos que justificaram a exoneração e o retorno quase imediato do secretário.
Pasta acumula críticas pela coleta de lixo
Geraldo Neto permanece responsável por uma das áreas mais criticadas da administração municipal.
A coleta de lixo e a limpeza urbana são alvos frequentes de reclamações de moradores. Há relatos recorrentes de lixo acumulado, atraso no recolhimento e sujeira em ruas e bairros de Palmeira dos Índios.
Desde o início da gestão, o serviço não conseguiu apresentar uma resposta considerada satisfatória por parte da população. Mesmo diante das críticas ao funcionamento da pasta, o secretário foi mantido após a reação política da Câmara.
A permanência de Geraldo, portanto, não foi acompanhada pela apresentação de metas, mudanças operacionais ou explicações sobre como a Prefeitura pretende enfrentar as reclamações relacionadas à limpeza da cidade.
O que ficou evidente foi a força do vínculo político: o filho de um integrante da Mesa Diretora foi exonerado e retornou ao cargo no mesmo dia, em meio ao confronto entre vereadores e Prefeitura.
Agenor Leôncio permanece exonerado
A pressão da Câmara não conseguiu reverter todas as mudanças.
A Portaria nº 478/2026 exonerou Agenor Leôncio da Silva Filho da Secretaria Municipal de Articulação Política. Ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Agenor ocupava uma das funções mais importantes para a relação entre a Prefeitura e o Legislativo.
A saída ocorre justamente no momento em que a articulação política da gestão apresenta sinais de desgaste. A Prefeitura perdeu apoio entre vereadores e passou a enfrentar rejeição de projetos, discursos agressivos e ameaças públicas no plenário.
Diferentemente de Geraldo Neto, Agenor Leôncio não foi reconduzido ao cargo.
Mudança no PalmeiraPrev
Também foi exonerado da presidência do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais, o PalmeiraPrev, Adrailton Bernardo da Silva.
Para o comando do instituto foi nomeado Eduardo Correia Sidrac. Segundo a versão divulgada pela comunicação institucional, Adrailton deverá assumir uma função na área de Tributos do município.
A mudança no PalmeiraPrev foi mantida e não entrou no recuo das portarias relacionadas à Secretaria de Serviços Públicos.
Caneta funcionou, mas parou diante da Câmara
As mudanças foram apresentadas oficialmente como ajustes administrativos destinados a dar maior agilidade ao governo. A sequência dos acontecimentos, entretanto, revela um cenário político mais complexo.
As exonerações ocorreram imediatamente após uma sessão em que a prefeita foi pressionada publicamente por vereadores insatisfeitos com a retirada de cargos de seus indicados. Quando a caneta atingiu diretamente o filho de um integrante da Mesa Diretora, a reação foi rápida — e o recuo também.
No caso de Geraldo Neto, a prefeita exonerou, escolheu um substituto e desfez tudo no mesmo dia.
A administração ainda precisa explicar por que decidiu afastar o secretário, quais motivos levaram ao recuo e se a permanência dele decorreu de uma avaliação técnica ou de pressão política.
A Tribuna do Sertão deixa espaço aberto para manifestações da Prefeitura, de Geraldo Neto, do vereador Geraldinho Ribeiro e da Câmara Municipal sobre as mudanças e as informações de pressão nos bastidores.



