ALERTA À SAÚDE

Depois dos buracos, água da CONASA com aparência de lama revolta moradores de Palmeira dos Índios

Vídeos mostram líquido escuro e opaco armazenado em caixas-d’água e velas de filtros de barro completamente enegrecidas; população cobra análise urgente e explicações da "Águas do Sertão"

Por Redação Publicado em 10/06/2026 às 17:48
Água ou lama? O que distribui a Conasa ao povo de Palmeira dos Índios?

Depois de enfrentar uma onda de revolta popular por causa das ruas esburacadas e dos danos provocados pelas obras de saneamento, a Conasa Águas do Sertão volta ao centro das reclamações em Palmeira dos Índios. Desta vez, o problema denunciado pelos moradores é ainda mais grave: a qualidade da água que chega às residências.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram água com aparência barrenta, escura e sem transparência armazenada em caixas-d’água. Em outro registro, uma moradora exibe as velas de um filtro de barro completamente enegrecidas e cobertas por resíduos depois de filtrarem a água distribuída na cidade.

As imagens viralizaram e provocaram indignação entre os consumidores, que pagam mensalmente pelo fornecimento de um serviço essencial e esperam receber água em condições adequadas para beber, cozinhar, tomar banho e realizar as demais atividades domésticas.

Em um dos vídeos exibidos nesta reportagem, o morador abre as caixas de armazenamento de sua residência e mostra o líquido visivelmente turvo. Segundo ele, o problema não estaria restrito a apenas um reservatório.

“Olha a situação: é lama pura. Estou com a caixa cheia e a água toda suja”, afirma.

O morador relata possuir quatro caixas-d’água e diz que o problema foi identificado em mais de uma delas. Durante a gravação, ele aproxima a câmera do líquido para mostrar a coloração e questiona as condições do abastecimento.

“Não tem nem condições de tomar banho com uma água dessa. É lama pura. É uma falta de respeito”, protesta.

Ele também compara o serviço atual com o período anterior à concessão e afirma que não se recorda de receber água com aquela aparência quando o abastecimento era operado diretamente pela Companhia de Saneamento de Alagoas, a Casal.

Filtros ficam pretos


Outro vídeo gravado por uma moradora de Palmeira dos Índios mostra a situação de um filtro de barro utilizado dentro da residência. Ao retirar as velas responsáveis pela filtragem, ela revela peças completamente sujas, escuras e aparentemente impregnadas de resíduos.

O registro reforça a preocupação dos consumidores. O equipamento doméstico, que deveria funcionar como uma proteção adicional, estaria retendo uma grande quantidade de impurezas presentes na água que chega pela rede de distribuição.

Embora a aparência registrada nos vídeos seja alarmante, somente uma análise laboratorial pode determinar oficialmente se a água está ou não dentro dos padrões de potabilidade. A alteração visível da cor e da turbidez, no entanto, exige investigação imediata, coleta de amostras e divulgação transparente dos resultados.

A norma do Ministério da Saúde estabelece procedimentos de controle e vigilância da água destinada ao consumo humano. As análises devem verificar, entre outros elementos, cor aparente, turbidez, cloro residual e a presença de agentes microbiológicos, como coliformes e Escherichia coli.



População cobra providências


Diante da gravidade das imagens, moradores cobram uma ação conjunta e imediata da Conasa Águas do Sertão, da Casal, da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas e dos órgãos municipais e estaduais de Vigilância Sanitária.

A população exige que sejam recolhidas amostras diretamente das residências atingidas, e não apenas em pontos previamente selecionados pela própria concessionária. Também é necessária a divulgação dos laudos mais recentes sobre a água produzida, tratada e distribuída em Palmeira dos Índios.

No modelo atual da concessão, a Casal permanece responsável pela produção da água, enquanto a Conasa Águas do Sertão atua na distribuição aos consumidores. Documentos da própria concessionária informam que a empresa leva a água produzida pela Casal aos municípios atendidos. O núcleo de Palmeira dos Índios integra 18 municípios e 58 povoados, alcançando uma população superior a 230 mil habitantes.

Por isso, não basta uma resposta genérica. As duas empresas precisam esclarecer onde ocorreu a possível falha, se o problema teve origem na captação, no tratamento, nos reservatórios, nas tubulações ou nas intervenções realizadas na rede.

Também devem informar quais bairros foram afetados, durante quanto tempo a água com alteração de cor foi distribuída e quais medidas serão adotadas para proteger os consumidores.

Depois de destruir as ruas


A nova onda de denúncias ocorre quando a Conasa Águas do Sertão ainda tenta recuperar sua imagem após meses de reclamações relacionadas às obras de esgotamento sanitário em Palmeira dos Índios.

A abertura simultânea de valas, a demora na recomposição do pavimento e os desníveis deixados em diversas ruas provocaram prejuízos à mobilidade urbana, ao comércio, aos motoristas e aos moradores.

Em abril, a Justiça determinou que a concessionária suspendesse a abertura de novas valas enquanto não promovesse a recuperação das áreas já atingidas. A decisão também estabeleceu a apresentação de um cronograma técnico, a recomposição de ruas, calçadas e passeios e multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

Depois da decisão, a empresa informou que não recorreria e prometeu priorizar o fechamento das valas e a recuperação das vias danificadas.

A situação chegou a exigir uma força-tarefa envolvendo o Governo de Alagoas para iniciar a recomposição asfáltica das ruas prejudicadas. Em junho, a própria concessionária reconheceu que aproximadamente 10% dos 110 quilômetros de rede implantados apresentaram problemas após a liberação para o tráfego, admitindo que as reclamações dos moradores eram legítimas.

Agora, quando parte da população ainda convive com os estragos deixados nas ruas, surge uma denúncia que alcança diretamente a saúde e a segurança das famílias.

Depois de maltratar a cidade com buracos, valas e pavimentação destruída, a concessionária passa a ser questionada pela aparência da água entregue nas torneiras. A população quer saber se o líquido mostrado nos vídeos está dentro dos padrões legais e exige uma resposta acompanhada de provas, laudos e providências concretas.

Até que análises oficiais sejam realizadas e divulgadas, consumidores das áreas afetadas devem evitar utilizar a água visivelmente alterada para beber ou preparar alimentos. A concessionária deve ser acionada para registrar formalmente a reclamação e fornecer orientação sobre o abastecimento seguro.

O espaço permanece aberto para manifestação da Conasa Águas do Sertão, da Casal e dos órgãos responsáveis pela fiscalização da qualidade da água.