Obra alardeada pelo ex-prefeito JHC como “a maior intervenção ambiental de Alagoas” esbarra na realidade: mau cheiro persiste e saneamento segue ausente; veja vídeo
Visita de morador ao Riacho Salgadinho, em Maceió, expôs contraste incômodo entre discurso político e a realidade encontrada após a urbanização do local
Divulgada pelo então prefeito João Henrique Caldas como “a maior obra ambiental já vista em Alagoas”, a intervenção no Salgadinho hoje é alvo de críticas e frustração popular. O motivo: o problema mais grave — a poluição e a falta de saneamento — continua praticamente intacto.
“Rapaz, eu pensei que ia poder pescar aqui, tomar banho… mas olha como tá isso aqui”, relata o morador, visivelmente decepcionado ao percorrer a área revitalizada.
Nas imagens, apesar de melhorias visuais e espaços que já começam a ser utilizados até para ensaios fotográficos, o cenário ainda revela um riacho com odor forte e aparência incompatível com qualquer uso recreativo.
“Isso aqui foi um trabalho urbanístico ou ambiental?”, questiona, levantando uma dúvida que ecoa entre outros moradores.
Promessa x realidade
A crítica central gira em torno do que foi prometido e do que efetivamente foi entregue. Ao classificar a obra como um marco ambiental, a gestão criou uma expectativa de recuperação completa do riacho — incluindo despoluição, tratamento de esgoto e melhoria da qualidade da água.
No entanto, segundo o relato, o que se vê é uma intervenção com forte apelo urbanístico, mas sem a solução estrutural do problema.
“Eu pensei que ia dar um ‘tibum’ aqui… mas não tem condição. É tristeza”, desabafa.
O velho problema permanece
Historicamente degradado pelo despejo de esgoto e resíduos, o Salgadinho continua sendo um dos maiores desafios ambientais da capital alagoana.
A repercussão do vídeo reacende um questionamento inevitável: obras com foco na estética urbana, sem a devida base em saneamento, podem ser consideradas, de fato, intervenções ambientais?
Para quem esperava um novo Salgadinho, a resposta, pelo menos por enquanto, vem carregada de frustração — e de uma sensação clara de promessa não cumprida.