Bancada Negra de Maceió denuncia ação judicial de JHC após críticas sobre Iprev e Banco Master
Em vídeo nas redes sociais, coletivo denuncia intimidação judicial após questionar investimentos do Iprev; gestão ainda não esclareceu os pontos levantados
MACEIÓ — A Bancada Negra de Maceió divulgou um vídeo nas redes sociais em que denuncia estar sendo alvo de ação judicial movida pelo prefeito JHC após publicações em que o coletivo questiona a gestão de recursos do Iprev de Maceió e investimentos vinculados ao Banco Master.
No material publicado, integrantes do grupo — formado por mulheres negras — afirmam que o prefeito teria recorrido à Justiça para pedir a identificação do administrador do perfil do coletivo, a retirada de conteúdos que tratam do tema, além do pagamento de indenização de R$ 10 mil. Segundo o próprio grupo, a medida seria uma tentativa de impedir o debate público sobre o destino de recursos previdenciários dos aposentados do município.
No vídeo, a Bancada Negra sustenta que está sendo processada por abordar o caso envolvendo o Iprev e o Banco Master e acusa a gestão municipal de tentar calar vozes críticas por meio do Judiciário. O coletivo também afirma que o prefeito não teria vindo a público prestar esclarecimentos sobre o investimento apontado como problemático por críticos da operação.
Coletivo fala em tentativa de silenciamento
Na manifestação divulgada, o grupo adota tom duro e político ao tratar do caso. As integrantes afirmam que não irão recuar e que continuarão cobrando transparência sobre a aplicação de recursos públicos, especialmente aqueles ligados à previdência dos servidores municipais.
A Bancada Negra também critica o que considera uma contradição entre a postura pública do prefeito nas redes sociais e a reação adotada diante de questionamentos políticos e administrativos.
Segundo o vídeo, o objetivo da ação judicial seria não apenas retirar conteúdos do ar, mas também intimidar comunicadores, influenciadores e perfis que tratam do tema em Alagoas.
Debate sobre liberdade de crítica e recursos públicos
O caso acrescenta um novo capítulo à tensão entre grupos políticos, comunicadores independentes e agentes públicos em Alagoas, especialmente em temas que envolvem previdência, investimentos públicos e liberdade de crítica nas redes sociais.
A denúncia da Bancada Negra também recoloca no centro do debate a necessidade de transparência sobre operações financeiras envolvendo recursos de aposentados e pensionistas, assunto que costuma gerar forte repercussão social e política.
Gestão é cobrada por esclarecimentos
Até o momento, segundo a manifestação do grupo, não houve resposta pública considerada suficiente sobre os questionamentos levantados quanto ao destino dos recursos mencionados no vídeo.
A Bancada Negra afirmou que manterá a denúncia em circulação e seguirá cobrando explicações. O coletivo sustenta que o tema não diz respeito apenas a disputa política, mas ao interesse direto da sociedade, sobretudo dos servidores aposentados e beneficiários do sistema previdenciário municipal.
A repercussão do vídeo tende a ampliar a pressão por esclarecimentos institucionais e também a discussão sobre os limites entre direito de crítica, liberdade de expressão e judicialização do debate público em Alagoas.