Criança passa horas com perna e bacia fraturadas após erro de diagnóstico na UPA de Palmeira dos Índios; veja vídeo
Pais denunciam negligência médica, falta de assistência do poder público e necessidade de transferência para Arapiraca mesmo com dois hospitais em funcionamento no município
Uma grave denúncia feita por um casal nas redes sociais está causando forte comoção em Palmeira dos Índios e reacende o debate sobre a qualidade do atendimento na rede pública de saúde do município. Segundo os relatos, o filho do casal sofreu um acidente, foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Palmeira dos Índios, recebeu atendimento médico e foi liberado sem que nenhuma alteração grave fosse identificada.
De acordo com o pai, o médico plantonista afirmou que a criança estava bem, aplicou uma injeção e orientou que o menino retornasse para casa. No entanto, durante toda a noite, a criança permaneceu sentindo dores intensas, chorando constantemente e sem conseguir se movimentar adequadamente.
Diante do agravamento do quadro, os pais retornaram à UPA no dia seguinte para uma nova avaliação. Somente após a realização de um exame de raio-x, a equipe identificou que a criança estava com fratura em uma das pernas e também na região da bacia — lesões graves que exigem atenção imediata.
“O médico disse que estava tudo bem, deu uma injeção e mandou para casa. Mas meu filho passou a noite inteira com dor. Hoje voltamos e o raio-x mostrou que ele estava com a perna quebrada e parte da bacia fraturada. Isso é muita irresponsabilidade”, desabafou o pai em vídeo gravado dentro da própria UPA.
A situação revoltou a família, que acusa falha grave no primeiro atendimento, prolongando o sofrimento da criança por horas sem o diagnóstico correto.
TRANSFERÊNCIA FORÇADA PARA ARAPIRACA E FALTA DE APOIO
Diante da gravidade das lesões, a criança precisou ser transferida para a Unidade de Emergência de Arapiraca, a cerca de 40 quilômetros de Palmeira dos Índios. O deslocamento ocorreu em meio a dores intensas, segundo relato dos pais, sem que houvesse qualquer suporte efetivo do poder público municipal durante o processo.
Em novo vídeo divulgado nas redes sociais, já no hospital de Arapiraca, o pai afirma que a família não recebeu auxílio adequado da Prefeitura de Palmeira dos Índios, apesar de uma nota oficial divulgada pelo município alegar que estaria prestando suporte.
“Postaram uma nota dizendo que a prefeitura está dando suporte. Não está dando suporte nenhum. Entraram em contato comigo e com a minha esposa, mas não resolveram nada. Meu filho está lá largado, sem assistência. Ninguém está ajudando em nada”, declarou o pai, visivelmente revoltado.
Segundo o relato, a criança permanece aguardando definição médica e possíveis procedimentos, enquanto os pais enfrentam angústia, incerteza e falta de apoio institucional.
QUESTIONAMENTOS SOBRE A ESTRUTURA DE SAÚDE DO MUNICÍPIO
O caso gera ainda mais indignação diante do fato de que Palmeira dos Índios atualmente conta com dois hospitais em funcionamento — um hospital público municipal e outro financiado com recursos públicos. Mesmo assim, uma criança em situação grave precisou ser deslocada para outro município para receber atendimento adequado.
A situação levanta questionamentos diretos:
Por que um diagnóstico tão grave não foi identificado no primeiro atendimento?
Por que não houve suporte adequado para o transporte e acompanhamento da criança?
Por que, mesmo com duas unidades hospitalares no município, não houve capacidade de atendimento local?
Quem responde pela possível negligência médica e pela falha na assistência?
Especialistas em saúde pública alertam que erros de diagnóstico em casos de trauma podem gerar agravamento clínico, sequelas permanentes e até risco de morte, sobretudo em crianças.
CASO DEVE SER APURADO
O episódio deve ser alvo de apuração por parte da Secretaria Municipal de Saúde, do Ministério Público, da Vigilância Sanitária e dos órgãos de controle. A família afirma que não pretende deixar o caso cair no esquecimento.
A Prefeitura de Palmeira dos Índios se limitou a uma nota desmentida pelo pai da criança. Até o fechamento desta matéria, não houve posicionamento oficial detalhado.
A Tribuna do Sertão seguirá acompanhando o caso.