DESCASO, NEGLIGÊNCIA E INCOMPETÊNCIA

Criança passa horas com perna e bacia fraturadas após erro de diagnóstico na UPA de Palmeira dos Índios; veja vídeo

Pais denunciam negligência médica, falta de assistência do poder público e necessidade de transferência para Arapiraca mesmo com dois hospitais em funcionamento no município

Por Redação Publicado em 18/01/2026 às 11:16
Reprodução do Vídeo

Uma grave denúncia feita por um casal nas redes sociais está causando forte comoção em Palmeira dos Índios e reacende o debate sobre a qualidade do atendimento na rede pública de saúde do município. Segundo os relatos, o filho do casal sofreu um acidente, foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Palmeira dos Índios, recebeu atendimento médico e foi liberado sem que nenhuma alteração grave fosse identificada.

De acordo com o pai, o médico plantonista afirmou que a criança estava bem, aplicou uma injeção e orientou que o menino retornasse para casa. No entanto, durante toda a noite, a criança permaneceu sentindo dores intensas, chorando constantemente e sem conseguir se movimentar adequadamente.

Diante do agravamento do quadro, os pais retornaram à UPA no dia seguinte para uma nova avaliação. Somente após a realização de um exame de raio-x, a equipe identificou que a criança estava com fratura em uma das pernas e também na região da bacia — lesões graves que exigem atenção imediata.

“O médico disse que estava tudo bem, deu uma injeção e mandou para casa. Mas meu filho passou a noite inteira com dor. Hoje voltamos e o raio-x mostrou que ele estava com a perna quebrada e parte da bacia fraturada. Isso é muita irresponsabilidade”, desabafou o pai em vídeo gravado dentro da própria UPA.

A situação revoltou a família, que acusa falha grave no primeiro atendimento, prolongando o sofrimento da criança por horas sem o diagnóstico correto.

TRANSFERÊNCIA FORÇADA PARA ARAPIRACA E FALTA DE APOIO


Diante da gravidade das lesões, a criança precisou ser transferida para a Unidade de Emergência de Arapiraca, a cerca de 40 quilômetros de Palmeira dos Índios. O deslocamento ocorreu em meio a dores intensas, segundo relato dos pais, sem que houvesse qualquer suporte efetivo do poder público municipal durante o processo.

Em novo vídeo divulgado nas redes sociais, já no hospital de Arapiraca, o pai afirma que a família não recebeu auxílio adequado da Prefeitura de Palmeira dos Índios, apesar de uma nota oficial divulgada pelo município alegar que estaria prestando suporte.

“Postaram uma nota dizendo que a prefeitura está dando suporte. Não está dando suporte nenhum. Entraram em contato comigo e com a minha esposa, mas não resolveram nada. Meu filho está lá largado, sem assistência. Ninguém está ajudando em nada”, declarou o pai, visivelmente revoltado.

Segundo o relato, a criança permanece aguardando definição médica e possíveis procedimentos, enquanto os pais enfrentam angústia, incerteza e falta de apoio institucional.

QUESTIONAMENTOS SOBRE A ESTRUTURA DE SAÚDE DO MUNICÍPIO


O caso gera ainda mais indignação diante do fato de que Palmeira dos Índios atualmente conta com dois hospitais em funcionamento — um hospital público municipal e outro financiado com recursos públicos. Mesmo assim, uma criança em situação grave precisou ser deslocada para outro município para receber atendimento adequado.

A situação levanta questionamentos diretos:
Por que um diagnóstico tão grave não foi identificado no primeiro atendimento?

Por que não houve suporte adequado para o transporte e acompanhamento da criança?

Por que, mesmo com duas unidades hospitalares no município, não houve capacidade de atendimento local?

Quem responde pela possível negligência médica e pela falha na assistência?

Especialistas em saúde pública alertam que erros de diagnóstico em casos de trauma podem gerar agravamento clínico, sequelas permanentes e até risco de morte, sobretudo em crianças.

CASO DEVE SER APURADO

O episódio deve ser alvo de apuração por parte da Secretaria Municipal de Saúde, do Ministério Público, da Vigilância Sanitária e dos órgãos de controle. A família afirma que não pretende deixar o caso cair no esquecimento.

A Prefeitura de Palmeira dos Índios se limitou a uma nota desmentida pelo pai da criança. Até o fechamento desta matéria, não houve posicionamento oficial detalhado.

A Tribuna do Sertão seguirá acompanhando o caso.