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O tênis de grife destruído e o valor simbólico do sobrenome

Essa semana viralizou nas redes o novo tênis de uma grife renomada, o que chamou atenção e se transformou em uma enxurrada de memes foi a estética da mercadoria, o produto tem a aparência de um calçado velho e usado, o que não é uma novidade no mercado visto que o jeans rasgado é uma peça que se estabeleceu no mundo da moda há décadas. Mas esse não é um texto sobre moda e no momento não estou com paciência pra tratar sobre personalidades inconsistentes e altamente influenciáveis pelo meio (não é querendo dizer que a total liberdade de escolha seja algo real, mas não ter sequer o mínimo de pensamento crítico e sempre ser levado pela onda é o cúmulo da superficialidade). Esse texto é uma analogia aos indivíduos que tem valor em nossa sociedade. Você que está lendo, tem valor?

Imagine alguém que possui o caráter semelhante ao do novo tênis da Balenciaga, sujo, feio, amolambado e outros tantos adjetivos que possam ser utilizados. Porém, o sujeito em questão tem um valor social simbólico pelo sobrenome tradicional, assim como o tênis ele será objeto de desejo de muitos, pois na nossa sociedade o que importa são os signos, quase tudo é encenação, quem não nasceu com “a herança que importa” como diz a estudante de políticas públicas Senhorita Bira em seu canal do Youtube, precisa representar que possui valor de alguma forma, enquanto outros, tal como o tênis surrado não precisam fazer o mínimo esforço. Ele será comprado e desejado, pois é importante por excelência, o caráter é execrável, mas ele nasceu superior – ele é um Balenciaga.

A qual mundo você pertence? A qual mundo deseja pertencer? Muitos almejam ser como uma peça de grife, o símbolo fálico ideal, o sonho de consumo do outro. A lógica atual não perdoa, ela deixa claro que você precisa se esforçar ao máximo para chegar o mais próximo possível do nível daqueles que há séculos foram “os eleitos” pela divindade suprema para serem os donos da terra. “Trabalhe enquanto eles dormem”.

Para quem está disposto a alcançar um patamar elevado na esfera do poder aquisitivo e se aproximar dos privilegiados de berço, na maioria das vezes vai chegar ao topo com a alma despedaçada e com o espírito totalmente corrompido, deplorável e aos frangalhos tal qual o tênis, que ao contrário do malnascido não precisou “mover uma palha”, que sempre terá sua sujeira e feiura distintas dos pobres mortais e um caráter que sempre será ofuscado e encoberto pela marca, afinal, ele é um…

P.S. O final do texto fica à seu critério, coloque o sobrenome que desejar.

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