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O Brasil, algoritmos e fanatismos

Que ninguém se iluda, pensar o Brasil é tarefa exclusiva dos brasileiros, seja nas questões da indústria, da agricultura, da saúde, educação etc., e acima de tudo em relação aos interesses nacionais.

Vivemos uma época especial em todo mundo, onde prevalecem mecanismos sofisticados de interferências desestabilizadoras nas sociedades, da parte do capital financeiro, megaempresas globais, além das grandes potências internacionais, na medida em que a revolução digital, a internet, alcançou o protagonismo irreversível que todos conhecemos.

Mas as facilidades advindas das novas formas de comunicação entre as pessoas, no consumo, provocaram novas maneiras de interferências na vida política das sociedades. E são esses os fenômenos que estamos vivenciando.

A competição industrial, agrícola, comercial, e geopolítica, se intensificou de forma exponencial, e nenhuma megaempresa global, ou potência internacional, está presente no mundo de hoje para esclarecer as coisas, mas para fazer valer os seus interesses, ou para confundir, se assim for necessário, desestabilizar as sociedades.

A racionalidade tornou-se um produto raro, ou em falta, nas atuais relações humanas. Muitas vezes tem prevalecido o delírio, quase esquizofrênico, na interpretação dos fatos, principalmente quando se trata das questões políticas.

Os algoritmos, no mundo digital, têm feito, com a rapidez, quase, instantânea, o trabalho que interessa ao grande capital financeiro, à luta política, às grandes potências, ou na competição dos produtos no mercado, seja ele qual for.

Se você adquire um aplicativo para ouvir música, por exemplo, esses algoritmos vão lhe direcionar para as músicas que consideram afins com o seu gosto inicial, e daí vão lhe conduzir para uma “bolha” digital que consideram o seu gosto. O que vai exigir muita consciência crítica e lucidez para que você não se torne um consumidor passivo de músicas.

As redes sociais, através dos mesmos mecanismos dos algoritmos, também vão lhe conduzir ao mesmo processo de identificação de opiniões idênticas às suas, promovendo as “bolhas” de ativismo social, reduzindo o horizonte de reflexão e discernimento dos indivíduos.

Assim como facilita a promoção das ações de publicação de notícias falsas, as tais das fake news, alimentando uma cadeia de desinformação sobre a verdade dos fatos, que são instrumentalizadas por grupos políticos, interesses geopolíticos estratégicos, ou mesmo na competição de produtos à venda no mercado.

A grande mídia global tem combatido as fake news, mas ela promove também, à sua maneira, as notícias que considera relevantes ou não. Em sua grande parte, ela se encontra a serviço dos interesses do capital financeiro, e promove as suas agendas cultural, política e ideológica, hoje hegemônicas.

E dita, conduz, as pessoas, para a luta que “deve” ser relevante. E em praticamente vinte quatro horas, em todo o mundo ocidental, grupos de “ativistas” sociais digitais, como as recentes manifestações para destruir estátuas e monumentos Históricos relevantes, saem às ruas movidos por uma fúria emocional.

Sem nenhuma reflexão crítica, mais profunda, sobre o significado das suas ações, com base em uma espécie de um difuso, falso, Internacionalismo militante. Dias depois, essa “causa” arrefece e logo é substituída por outra, igualmente carregada do mesmo conteúdo emocional, quando não sectário.

Na atual luta dos cientistas, na área de saúde, contra o corona vírus, existem algumas vacinas, em pesquisa, em estágio avançado.

Um desses surtos emocionais, ideológicos, foi promovido nas redes sociais, contra a possível vacina chinesa, em convênio com o Instituto Butantã no Brasil, sob a alegação de que essa possível vacina, estaria “infectada” com um nano chip que iria controlar as pessoas, vigiá-las, e aliciá-las ao comunismo internacional. Um delírio, impensável em outras épocas, se não fossem os algoritmos, manipulados por um extremismo sectário.

A atual realidade política brasileira está carregada por frenética Guerra Híbrida, cujo objetivo central tem sido a fratura do tecido social da sociedade nacional, entre grupos com agendas identitárias.

Uns procurando negar o contínuo histórico nacional, as grandes figuras que, em cada época determinada, ergueram o espírito do País, através das ideias e das realizações, que formam a nossa civilização única, mestiça e tropical, como descreveu o grande antropólogo Darcy Ribeiro.

Outros, em um campanha irracional, fundamentalista, inimiga do progresso,  pretendem levar o País aos tempos medievais passados.

A continuada polarização dessa “ordem” de coisas não serve aos interesses nacionais, porque é falsa, sem perspectiva estratégica, e conduz a nação à imobilidade, ao atraso, e fratura o nosso tecido social.

Já essa atual guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, eles estão jogando o jogo deles, nós devemos estar é com os nossos interesses. Não podemos estar alinhados em disputas ideológicas de ocasião. Devemos ficar com o que serve ao Brasil e ao povo brasileiro. Promover uma diplomacia ampla, pacífica e de cooperação internacional em todos os níveis.

Quanto à campanha de cerco que atinge a Amazônia, sob o justo pretexto de evitar e combater as queimadas, ela possui, na verdade, o objetivo estratégico da internacionalização de um ativo ambiental, mineral, biológico, geopolítico, inigualável no planeta.

Tudo isso promovido por ONGs suspeitas e potências estrangeiras. É hora de levantar, com serenidade, altivez, uma campanha em defesa da Amazônia, que é nossa, assegurada com muita luta por aqueles que nos deixaram esse extraordinário legado ambiental e patrimônio territorial.

Quando promovem uma campanha contra a agricultura brasileira, isso nada tem a ver com as, falsas, justificativas sobre agrotóxicos e outras coisas mais. Mas é devido ao protagonismo internacional da nossa produção de grãos, carnes etc., que disputa com alta qualidade, tecnologias e cumprimento de todas as normas sanitárias exigidas pelos acordos mundiais. Aliás, é a agricultura que vem salvando o País nessas ultimas décadas.

A luta de ideias nestes tempos de hoje é vital, no empenho por um programa nacional de desenvolvimento estratégico, pela reestruturação do parque industrial nacional, recompor a nossa cadeia produtiva. Pelo investimento maciço em educação em todos os níveis, ciência e tecnologia, infraestrutura, na promoção de políticas públicas com investimentos sociais.

Se o Brasil atingir essas metas, estaremos alcançando o patamar de uma nação verdadeiramente progressista, rumo ao pleno desenvolvimento econômico, combinado com a alta qualidade de vida do povo brasileiro. Território continental, riquezas naturais, matérias primas, uma população de mais de 200 milhões de habitantes, com engenhosidade, vontade de crescer, nós temos. Falta-nos o projeto, a vontade, e a união do povo em torno dos novos desafios.

Em tempos de algoritmos digitais, fanatismos ideológicos, tempestades de ódios difusos, como disse o poeta: falta-nos cumprir o Brasil. E essa obra não cai do céu, ou por geração espontânea. Precisa ser edificada, construída. Talentos, não nos faltam. É fundamental a iniciativa.

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